Decreto vale por 60 dias e alcança 796 distritos; governo busca reduzir riscos de enchentes, deslizamentos e outros desastres climáticos
O governo do Peru decretou estado de emergência em 796 distritos, o equivalente a cerca de 40% do território do país, devido ao alto risco de chuvas intensas associadas ao fenômeno climático El Niño. A medida foi oficializada por decreto e terá validade inicial de 60 dias, permitindo que autoridades nacionais, regionais e municipais adotem ações extraordinárias de prevenção e resposta a possíveis desastres.
Entre as regiões abrangidas pelo decreto estão Lima, Cusco e Arequipa, consideradas áreas de maior vulnerabilidade diante da previsão de precipitações acima da média. O objetivo é reforçar a preparação para o período chuvoso, minimizar riscos à população e proteger a infraestrutura do país.
Segundo o governo peruano, as ações incluem obras emergenciais, monitoramento de áreas de risco, reforço da Defesa Civil e medidas para reduzir os impactos de enchentes, deslizamentos de terra e interrupções em rodovias. Os trabalhos serão executados com recursos dos próprios órgãos públicos, sem necessidade de aporte extra do Tesouro Nacional.
A preocupação das autoridades aumentou após o Centro Nacional de Estimativa, Prevenção e Redução do Risco de Desastres (Cenepred) apontar que mais de 9,3 milhões de pessoas vivem em áreas classificadas como de risco muito alto para inundações e deslizamentos. Além disso, os órgãos meteorológicos elevaram a previsão da intensidade do El Niño de moderada para forte entre os meses de junho e setembro, com possibilidade de seus efeitos se estenderem até o primeiro trimestre de 2027.
Reflexos podem atingir a região amazônica
Embora o decreto tenha efeito apenas em território peruano, especialistas destacam que eventos climáticos extremos no país costumam provocar reflexos em áreas de fronteira com o Brasil, especialmente na Amazônia Ocidental.
O Acre, que faz fronteira com o Peru, pode acompanhar com atenção a evolução do fenômeno, já que chuvas intensas no país vizinho podem influenciar o nível de rios compartilhados, além de afetar a logística e o transporte pela Rodovia Interoceânica em caso de enchentes ou deslizamentos. Até o momento, porém, não há registro de impactos diretos no estado acreano relacionados ao novo decreto.
