Eleito deputado federal pelo MDB, Pedro Longo atribui a chegada à Câmara dos Deputados à avaliação dos dois mandatos exercidos na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e ao que classifica como “voto de opinião”. Magistrado aposentado e professor de Direito, ele avalia que a experiência jurídica pesou na escolha do eleitor, mas considera que o conhecimento da realidade do Acre será determinante para o trabalho que pretende desenvolver em Brasília.
Longo decidiu não buscar um terceiro mandato consecutivo na Aleac e disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara. Para ele, a mudança representou também um julgamento do trabalho realizado nos últimos anos.
“De quatro em quatro anos, nós somos submetidos ao concurso mais rigoroso que existe, que é o concurso da avaliação popular do que você fez. Então, eu acho que os nossos dois mandatos foram bem avaliados, mas principalmente eu recebi muito apoio, aquele chamado voto de opinião, voto das pessoas que querem se sentir bem representadas em Brasília”, afirmou ao Correio Online.
Ao projetar o novo mandato, o deputado federal eleito defende que o conhecimento técnico precisa caminhar ao lado da compreensão das diferenças sociais, econômicas e geográficas do Acre. Longo cita a experiência acumulada em visitas a aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e áreas rurais como parte da formação que pretende levar ao Congresso.
“Só conhecimento jurídico também não é suficiente. É preciso conhecer a realidade da nossa gente, saber como se vive numa aldeia indígena, lá na ponta de um ramal onde às vezes nem energia elétrica ainda chegou, como vivem as comunidades ribeirinhas”, disse.
Essa combinação deverá orientar também a atuação de Longo em debates que extrapolam as competências do Parlamento estadual e dependem de decisões da União. Desenvolvimento econômico, legislação ambiental, infraestrutura e fortalecimento da produção estão entre os temas que ele pretende colocar na agenda do mandato. A situação dos produtores atingidos por embargos ambientais e a manutenção da BR-364 aparecem entre as prioridades apontadas pelo parlamentar.
No setor produtivo, Longo aposta especialmente no fortalecimento do cooperativismo e do associativismo como alternativa para pequenos produtores que, individualmente, encontram dificuldades para investir em tecnologia, mecanização e aumento da produção.
“Às vezes é muito difícil um pequeno produtor conseguir modernizar sua produção, adquirir maquinário, conseguir o calcário, conseguir a mecanização, mas quando eles se unem em uma cooperativa ou em uma associação de produtores, aquilo que é difícil no CPF começa a se tornar viável no CNPJ”, afirmou.
Em Brasília, a intenção é trabalhar para que esse modelo avance também sobre outras etapas da cadeia produtiva, permitindo que o produtor acreano não apenas produza mais, mas consiga processar e comercializar o que produz com maior valor agregado.
“Eu acredito nessa organização em que as pessoas fazem de uma forma mais fraterna, sem o atravessador, mas elas próprias se organizam para aumentar sua produção, ter mais produtividade, poder escoar e vender também industrializado, agregando valor em melhores condições”, declarou.
Longo também pretende levar para a Câmara dos Deputados discussões nas quais sua formação jurídica possa ter peso maior. A avaliação é de que questões enfrentadas diretamente pelo Acre muitas vezes estão vinculadas à legislação federal, o que limita a capacidade de intervenção de um deputado estadual. Na Câmara, ele passa a participar diretamente da elaboração e alteração dessas normas, além da articulação por recursos e investimentos federais destinados ao Estado.
No cenário político local, Pedro Longo reafirmou o apoio à governadora Mailza no segundo turno. Apesar de considerar favorável o resultado obtido por ela na primeira etapa da disputa, evitou tratar a eleição como definida. “A eleição só se decide quando a urna é aberta. Nessa eleição mesmo tivemos surpresas, mas eu acredito que a governadora Mailza vai confirmar no segundo turno a sua vitória”, afirmou.
