Kanye West comparece ao julgamento de Diddy
AP Photo/Michael R. Sisak
O rapper Kanye West foi anunciado como atração do Wireless Festival, em Londres. O evento está marcado para acontecer entre os dias 10 e 12 de julho.
No entanto, desde o anúncio da participação do rapper, o evento vem enfrentando uma onda de críticas dos fãs e políticos ingleses, que apontam para frases e músicas antigas do cantor.
West, agora conhecido como Ye, já foi criticado por declarações antissemitas e por exaltar o nazismo, o que levou, em diversas ocasiões, ao bloqueio de suas contas nas redes sociais, incluindo a conta X.
Ele chegou a lançar uma música com o nome “Heil Hitler”.
No começo do ano, o rapper publicou um anúncio no Wall Street Journal pedindo desculpas “a quem ele magoou” por fazer apologia ao nazismo.
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Patrocínios cancelados
A Pepsi cancelou o patrocínio ao Wireless Festival após o anúncio de Kanye West como principal atração do evento. Segundo informações da “Variety”, a empresa anunciou neste domingo (5) que decidiu encerrar a parceria de mais de uma década com o festival.
O festival era oficialmente conhecido como “Pepsi MAX Presents Wireless” como parte de uma parceria que existia desde 2015. Horas depois da desistência da Pepsi, outro patrocinador, a Diageo, proprietária das marcas de bebidas alcoólicas Johnnie Walker e Captain Morgan, também anunciou sua saída do festival.
Um porta-voz do PayPal disse à agência Reuters na segunda-feira que sua marca não aparecerá em nenhum material promocional futuro do Wireless.
Kanye West aparece como uma das atrações do Wireless Festival
Reprodução
Entrada na Inglaterra ameaçada
A contratação de Kanye West foi criticada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que relembrou os comentários antissemitas do rapper.
“É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo”, disse Starmer em um comunicado ao jornal britânico “The Sun”.
De acordo com à Reuters, o principal partido da oposição, o Partido Conservador, escreveu à Ministra do Interior, Shabana Mahmood, pedindo que ela proibisse o cantor de entrar no país.
Questionada sobre o assunto, uma fonte do Ministério do Interior disse à agência de notícias que os ministros estavam analisando sua permissão para entrar no país.
O Ministério do Interior geralmente não comenta casos individuais, mas Mahmood tem poderes para solicitar pessoalmente a expulsão de Ye do Reino Unido.
Em janeiro, o departamento revogou a autorização de Eva Vlaardingerbroek, uma ativista holandesa de extrema-direita, por disseminar informações falsas.
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Festival defende a presença de Kanye West
Melvin Benn, diretor administrativo da Festival Republic, uma das organizadoras do evento, defendeu a decisão de ter o rapper como atração principal do Wireless, apesar de seus comentários “abomináveis”, e pediu ao público que o perdoasse.
Benn afirmou que Kanye não teria “uma plataforma para expressar opiniões” no palco. Ele disse que a música de Ye era tocada nas rádios e estava disponível na internet.
“O perdão e a possibilidade de dar uma segunda chance às pessoas estão se tornando virtudes perdidas neste mundo cada vez mais dividido, e eu peço às pessoas que reflitam sobre seus comentários imediatos de repulsa diante da possibilidade dele se apresentar. Que ofereçam a ele algum perdão e esperança, como eu decidi fazer”, acrescentou Benn.
