Presidente do PT relata mudança na organização e questiona candidaturas que evitaram associar sua imagem à do presidente na primeira etapa da disputa
A campanha de Lula ganhou força no segundo turno quando estudantes, professores, mulheres e movimentos sociais passaram a organizar suas próprias atividades. Essa é a avaliação do presidente do PT no Acre, Cesário Braga, que relatou uma mudança na relação da direção partidária com os apoiadores após o primeiro turno.
Em entrevista ao podcast Correio em Prosa, com a jornalista Marcela Jansen, do Portal Correio OnLine, Cesário disse que a decisão foi dar autonomia aos grupos que queriam participar da mobilização. “Nós largamos as rédeas, os estudantes pegaram a campanha, os professores pegaram a campanha”, afirmou. “A sociedade civil se apropriou.”
Já de volta à presidência do PT, Cesário relatou que a organização passou a acolher iniciativas de diferentes setores da esquerda. Os atos deixaram de depender exclusivamente de uma coordenação, e a direção passou a ajudar nas demandas apresentadas pelos próprios apoiadores.
Ele citou a participação de universitários, estudantes secundaristas, professores, mulheres e integrantes do movimento LGBT, além de atividades organizadas em municípios do interior. Segundo o dirigente, essa disposição para ir às ruas precisava encontrar espaço dentro da campanha. “A campanha tinha que perder o dono. Não pode ter dono”, disse.
O relato veio acompanhado de uma cobrança a candidaturas que, na avaliação dele, evitaram se associar a Lula no primeiro turno. Cesário afirmou que o envolvimento com a disputa presidencial ficou restrito a poucos candidatos ao Legislativo. “Pouquíssimas candidaturas proporcionais tocaram de verdade a campanha do presidente Lula.”
Ao tratar dessa postura, o presidente petista questionou a decisão de deixar Lula em segundo plano. Disse respeitar as estratégias individuais, mas avaliou que o apoio mais explícito desde o início poderia ter antecipado a mobilização vista na reta final. “Talvez se a gente tivesse abraçado o Lula desde o início”, afirmou.
A cobrança foi dirigida às candidaturas que adotaram esse distanciamento. Ao falar do segundo turno, Cesário destacou justamente a participação da militância e de pessoas que se somaram às atividades para além das estruturas partidárias.
Para ele, a mudança permitiu reunir grupos que antes atuavam separadamente. A direção, segundo seu relato, deixou de concentrar as iniciativas e passou a apoiar uma campanha construída também por quem estava nas ruas
