Para Fábio Araújo, falta de gestão impediu que centenas de famílias tivessem casa própria

Foto: Reprodução

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O programa “Mil e Uma Dignidades”, lançado com o discurso de oferecer moradia sustentável e esperança a centenas de famílias de Rio Branco, se transformou em uma coleção de promessas não cumpridas, denúncias e desperdício de recursos públicos. É o que aponta o vereador Fábio Araújo (MDB), que tem acompanhado de perto a execução do projeto.

Durante participação no poddcast Correio em Proso, o parlamentar pontou falhas graves e cobrou respostas do Executivo sobre o destino das casas que deveriam estar prontas há mais de um ano. Segundo ele, a proposta inicial previa o uso de madeira reaproveitada da empresa AgroCortex para a construção das moradias. No entanto, segundo o vereador, menos de 20% do material foi efetivamente utilizado.

“A madeira apodreceu e agora o município está alugando uma estufa por quase 50 mil reais por mês para tentar salvar o que restou. É o símbolo do desperdício”, afirmou. Ele destacou que o gasto mensal com a estufa chega a meio milhão de reais por ano, sem que uma única casa tenha sido entregue à população.

O vereador lembra que, se o cronograma inicial tivesse sido cumprido, pelo menos 360 casas já estariam prontas. “Se tivessem feito dez por mês, já teríamos centenas de famílias atendidas. Mas o tempo passou, e o que restou foram promessas e madeira estragada”, lamentou. A crítica ganhou força após o município anunciar a cessão de terrenos originalmente destinados ao programa para o governo federal, que passou a construir no mesmo local unidades do Minha Casa Minha Vida.

Para Fábio Araújo, a manobra mostra o esvaziamento do projeto municipal. “O governo federal está construindo, mas o município tenta se apresentar como autor. Isso é brincar com a esperança de quem esperou por um teto”, disse. A ausência de transparência também se repete em outras ações da Prefeitura, como o programa Recomeço, criado para atender famílias atingidas pela enchente de 2023. Segundo o vereador, até hoje não há explicação sobre o destino dos móveis e utensílios domésticos adquiridos para doação. “Fui ao galpão, e o que havia lá antes agora é só madeira. Ninguém sabe, ninguém responde”, relatou.

Os dois programas — um de moradia e outro de reconstrução — revelam uma falha comum: falta de gestão e acompanhamento. Enquanto o discurso oficial fala em dignidade, o que se vê são galpões alugados, materiais desperdiçados e famílias que seguem à espera de uma casa ou de um colchão.

O vereador afirma que não se trata de oposição política, mas de compromisso com a verdade e com quem mais precisa. “A população não quer saber de desculpa, quer ver resultado. A madeira estragou, as casas não saíram, e quem precisava continua desabrigado. Isso não é dignidade”, disse.

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