Pará consolida hegemonia na pimenta-do-reino e concentra os 20 maiores produtores da Região Norte

Foto: Internet 

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O Pará se consolidou como o maior produtor de pimenta-do-reino da Região Norte ao concentrar, sozinho, os 20 municípios com maior volume de produção da especiaria em 2024. O dado, com base em levantamento do IBGE, revela uma hegemonia inédita na cadeia produtiva e reforça o papel estratégico do estado no mercado nacional e internacional da pimenta-do-reino, cultura que tem raízes históricas profundas na Amazônia.

No topo do ranking aparece Tomé-Açu, responsável por uma produção de 5.880 toneladas, seguido por Baião (3.829 toneladas) e Igarapé-Açu (3.720 toneladas). A lista segue com municípios do nordeste paraense, como Capitão Poço, Acará, Mocajuba e Castanhal, evidenciando que a produção está fortemente concentrada em uma mesma região geográfica, marcada por tradição agrícola e organização produtiva.

A liderança do Pará na pimenta-do-reino não é recente. A cultura ganhou força a partir da imigração japonesa no século XX e viveu ciclos de expansão e crise, especialmente com a disseminação da fusariose no fim dos anos 1960, doença que devastou os pimentais conduzidos em regime de monocultura. A resposta dos produtores foi a diversificação agrícola, que deu origem a sistemas agroflorestais hoje reconhecidos como referência mundial em sustentabilidade e resiliência produtiva.

Atualmente, a pimenta-do-reino divide espaço com culturas como cacau, açaí e frutas tropicais, reduzindo riscos econômicos e ambientais. Mesmo assim, o volume expressivo registrado em 2024 mostra que a especiaria segue como um dos pilares da economia rural paraense, sustentando milhares de produtores e mantendo o estado como protagonista absoluto na Região Norte.

A concentração total dos maiores produtores em território paraense também acende um alerta estratégico para políticas públicas, logística e sanidade vegetal. Especialistas apontam que, ao mesmo tempo em que o domínio reforça a liderança do Pará, ele também exige investimentos contínuos em pesquisa, assistência técnica e diversificação, para evitar que velhos ciclos de crise voltem a comprometer uma das cadeias mais emblemáticas da agricultura amazônica.

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