Rio Branco, Acre - sábado, 07 março, 2026

“Onde está a justiça?”: desabafo de influenciadora rural escancara dor de famílias após operação do ICMBio em Xapuri

Foto Rede social

A madrugada de domingo, 15, foi marcada por lágrimas e revolta entre famílias rurais de Xapuri, no Acre. Após dias de resistência, os agentes federais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciaram o embarque dos gados apreendidos durante a “Operação Suçuarana”, deflagrada dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes. O gado pertencia aos produtores Gutierre e Josenildo Mesquita de Souza, moradores da região.

Em meio ao caos, a influenciadora rural Rose Ribeiro, com forte atuação nas redes sociais, publicou um vídeo emocionante denunciando o que chamou de “injustiça institucionalizada”. Ela afirmou que três pessoas foram presas durante os protestos, entre elas seu próprio irmão, detido e levado para a sede da Polícia Federal.

“É um sentimento de impotência, de revolta, de que nós não somos nada. Meu irmão está preso como se fosse bandido. O que ele fez foi lutar, protestar contra uma injustiça”, desabafou.

Rose relatou que o clima no local, que inicialmente era pacífico, se transformou em tensão e confronto. Segundo ela, os manifestantes tentaram evitar o embarque do gado a qualquer custo, mas foram surpreendidos por uma ação enérgica e, em sua visão, desproporcional. “Virou um campo de guerra”, declarou.

A influenciadora também questionou a ausência de órgãos como o IDAF e entidades protetoras dos animais, mencionando que vacas com bezerros recém-nascidos estavam entre os animais levados. “Bezerro pode ser deixado para morrer de fome e sede? Onde estão os protetores de animais agora?”, questionou, em tom de indignação.

O desabafo repercutiu fortemente nas redes, evidenciando o abalo emocional das famílias atingidas pela operação federal e o sentimento de abandono por parte do Estado. “Aqui, moçada, é realidade. Estão tratando trabalhador como criminoso e transformando a dor do outro em rotina. E isso não pode virar moda”, concluiu.

A PRF confirmou que o trecho da BR-317 foi liberado ao tráfego na manhã de domingo, 15, mas o sentimento entre as famílias rurais de Xapuri ainda é de ferida aberta. O caso reacende o debate sobre a conciliação entre fiscalização ambiental, permanência de populações tradicionais e o respeito aos direitos humanos no interior da Amazônia.

Compartilhar