Presidente da entidade defende investimento em beneficiamento, infraestrutura e acesso a mercados para fortalecer as cooperativas
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Acre (OCB/AC), Valdemiro Rocha, entregou ao candidato ao governo Alan Rick (Republicanos), nesta quinta-feira (24), em Rio Branco, uma agenda com 64 propostas para o setor. O documento, intitulado **“Propostas para um Acre Mais Cooperativo 2027–2030”**, reúne medidas para ampliar as condições de trabalho das cooperativas e sua participação no desenvolvimento econômico do estado.
Ao explicar as prioridades da entidade, Valdemiro contestou a ideia de que o principal desafio do Acre seja ensinar os produtores a produzir mais. “O nosso problema não é produzir. É agrobeneficiar e comercializar”, afirmou. Segundo ele, agricultores e comunidades tradicionais já dominam suas atividades, mas enfrentam dificuldades para transformar a produção, agregar valor e encontrar compradores.
Entre os obstáculos citados pelo presidente estão a falta de pontes, armazéns e transporte adequado, além das dificuldades de acesso à assistência técnica e ao crédito. Para Valdemiro, garantir a venda do que é produzido pode impulsionar as demais etapas. “Se tiver a comercialização, já resolve. Por incrível que pareça, as outras coisas vão se arranjando quando você tem garantida a comercialização”, disse.
As propostas entregues a Alan estão organizadas em sete eixos: segurança jurídica e regularização fundiária; compras públicas e acesso a mercados; crédito e financiamento; infraestrutura e logística; bioeconomia; assistência técnica e agroindustrialização; e educação cooperativista. A agenda abrange atividades rurais e urbanas, incluindo cooperativas de transporte, saúde e serviços.
Na área de comercialização, a OCB/AC propõe ampliar a participação das cooperativas nas compras públicas. Uma das medidas apresentadas é a criação de um piso de **40% das compras dos programas estaduais de alimentação escolar e aquisição de alimentos** para cooperativas locais. O documento também pede apoio aos municípios para que consigam executar a compra de produtos da agricultura familiar, além de melhorias nas rotas de entrega.
Para que os produtos cheguem aos compradores, a agenda cobra manutenção permanente dos ramais, conclusão de pontes que interrompem o acesso às propriedades e estrutura de armazenagem no interior, como câmaras frias, silos e pontos de recolhimento. A entidade também incluiu propostas para energia elétrica e internet no campo e para manter a BR-364 na pauta de articulação com a bancada federal.
Outro conjunto de medidas trata da regularização fundiária e ambiental. A OCB/AC aponta que cadastros ambientais pendentes, titulações inconclusas e dificuldades de licenciamento limitam o acesso ao crédito e a expansão das atividades. Entre as propostas estão um mutirão de regularização, a conclusão da titulação de assentamentos e um balcão único de licenciamento para pequenas agroindústrias.
A agenda prevê ainda assistência técnica prestada em parceria com as próprias cooperativas, implantação de pequenas agroindústrias e apoio ao beneficiamento de produtos como castanha, borracha, frutas amazônicas, café e mel. Também há medidas para formação profissional, inovação, participação das cooperativas em políticas públicas e remuneração de atividades ligadas à conservação da floresta.
Valdemiro afirmou que entregar as propostas permite mostrar o que o setor espera de quem pretende governar o Acre. Ele citou a Coopercafé como exemplo de organização da produção e da comercialização e ressaltou que os desafios variam conforme o ramo de atividade. “O cooperativismo é o melhor instrumento de organização econômica que produz muitos bons efeitos sociais”, declarou.
