“O preconceito ainda adoece quem teve hanseníase”, destaca João Paulo

Foto: Reprodução

A hanseníase deixou de ocupar o noticiário, mas nunca saiu da realidade. Durante participação no Correio em Prosa, o vereador João Paulo chamou atenção para a urgência de trazer o tema de volta à agenda pública e para o silêncio que ainda cerca a doença no Acre.

“Não é passado, é presente. O preconceito ainda separa famílias. E essa dor silenciosa precisa ser enxergada pelo poder público”, afirmou. O parlamentar, que preside a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Rio Branco, defende que a hanseníase volte a ser tratada como prioridade permanente da política de saúde, e não como pauta restrita a campanhas de curta duração.

Psicólogo por formação e ex-gestor da rede pública, João Paulo explicou que o tratamento médico precisa vir acompanhado de acolhimento psicológico, reinserção social e educação comunitária. “O remédio cura o corpo, mas não cura a rejeição. É preciso cuidar da mente e do coração das pessoas que foram isoladas por décadas”, disse.

No podcast, ele relatou experiências vividas durante a realização da audiência pública que organizou sobre o tema — encontro que reuniu pacientes, familiares e profissionais de saúde. Segundo o vereador, os depoimentos revelaram feridas ainda abertas: mães que perderam o convívio com os filhos, pessoas afastadas do trabalho por medo e comunidades inteiras que escondem a doença por vergonha.

“Enquanto houver alguém escondendo suas feridas por medo do olhar do outro, a hanseníase continua sendo um problema de todos nós”, alertou. Ele reforçou que a luta agora é por um programa municipal de atenção integral às pessoas afetadas, com busca ativa, acompanhamento domiciliar, capacitação de agentes de saúde e suporte psicológico contínuo.

Para João Paulo, o maior desafio não é apenas médico, mas cultural e político. “A hanseníase não é um tema de um mês de campanha. É uma ferida social que só fecha quando o preconceito acaba”, concluiu.

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