O paradoxo climático: Amazônia já emite mais carbono que 186 países da ONU

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A Amazônia, tradicionalmente vista como um dos maiores símbolos de equilíbrio climático do planeta, tornou-se também uma das principais responsáveis pelo agravamento da crise global. Dados levantados pelo projeto COP em Mapas, da InfoAmazonia, mostram que a região já emite mais gases de efeito estufa do que 186 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em escala global, as emissões amazônicas só ficam atrás das registradas por China, Estados Unidos, Índia, Rússia, Indonésia, Irã e Japão. O peso desses números revela o paradoxo de um bioma que, embora não seja um país, ganhou a relevância de uma nação inteira quando o assunto é clima.

O dado chama ainda mais atenção porque menos de 20% da população brasileira vive na Amazônia. Isso significa que as emissões da região não são explicadas pela presença de grandes centros urbanos, pela circulação de veículos ou pela produção industrial de energia.

O que impulsiona a liberação de carbono é sobretudo a mudança no uso da terra, marcada pelo avanço do desmatamento, das queimadas e da agropecuária. Levantamentos do Imazon apontam que, apenas em 2024, a degradação da floresta lançou 161,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera, mais que o dobro das emissões registradas pelo desmatamento, estimadas em 60,7 milhões de toneladas no mesmo período. A Amazônia brasileira sozinha responde por quase metade de todas as emissões de carbono do país.

Esse cenário transforma o bioma em protagonista involuntário das discussões globais. Ao mesmo tempo em que abriga a maior biodiversidade do planeta, a Amazônia se tornou uma das maiores fontes de gases que aquecem a atmosfera e aceleram as mudanças climáticas.

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