Documento complementar descarta erro médico e mantém conclusão de que traumatismo craniano provocado pelas agressões foi a causa da morte do adolescente de 16 anos
Um novo parecer elaborado pelo Instituto Médico-Legal (IML) reforçou a conclusão de que as agressões sofridas pelo adolescente Rodrigo Helbinger Fleury Castanheira, de 16 anos, foram a causa direta de sua morte, no Distrito Federal. O documento foi produzido por determinação da Justiça após questionamentos apresentados pela defesa de Pedro Arthur Turra Basso, réu por homicídio doloso no caso.
Segundo os peritos, não foram encontrados elementos que indiquem erro médico, demora relevante no atendimento hospitalar ou qualquer outra intercorrência capaz de explicar o óbito. O parecer conclui que o traumatismo craniano provocado pelas agressões foi determinante para a morte do adolescente, que permaneceu internado por 16 dias antes de morrer, em fevereiro deste ano.
Hipótese de impacto contra carro é descartada
O novo documento também afasta uma das hipóteses inicialmente levantadas durante a investigação: a de que Rodrigo teria sofrido a lesão fatal ao bater a cabeça na porta de um veículo durante a briga.
De acordo com a perícia complementar, as fraturas identificadas nos exames são compatíveis com golpes diretos na cabeça e incompatíveis com um impacto secundário contra o automóvel, reforçando que as agressões foram a origem das lesões fatais.
Soco inglês segue sem comprovação
Outro ponto analisado pelos peritos foi a possibilidade de utilização de um soco inglês durante a agressão.
Embora um objeto desse tipo tenha sido apreendido pela Polícia Civil na residência de Pedro Turra durante as investigações, o parecer afirma apenas que as lesões encontradas são compatíveis com um instrumento contundente dessa natureza. Os especialistas ressaltam, porém, que não existem elementos técnicos suficientes para afirmar que o objeto tenha sido efetivamente utilizado no crime.
Processo segue aguardando decisão da Justiça
A complementação da perícia foi solicitada após a defesa levantar dúvidas sobre a causa da morte durante a audiência de instrução. Com a entrega do novo parecer, defesa e Ministério Público ainda deverão se manifestar antes que o juiz decida se Pedro Turra será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Pedro Turra responde por homicídio doloso, modalidade em que o Ministério Público sustenta que o acusado assumiu o risco de produzir a morte da vítima. Paralelamente à ação penal, a Justiça também determinou o bloqueio de bens do réu em até R$ 5,1 milhões para garantir eventual indenização à família de Rodrigo Castanheira.
