Novo estudo revela falhas na drenagem urbana e expõe fragilidade do Acre diante das chuvas

Foto: Ilustrativa/internet 

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Um levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, mostrou que o Brasil ainda enfrenta um cenário crítico no setor de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Segundo o diagnóstico, 32,5% dos municípios sequer possuem sistema de drenagem e apenas 5,3% contam com um Plano Diretor específico para o setor, instrumento considerado essencial para reduzir riscos de alagamentos e orientar investimentos.

Os dados revelam que, mesmo em vias pavimentadas, somente 33,5% contam com redes ou canais subterrâneos de águas pluviais, índice considerado insuficiente para atender à crescente demanda das cidades. Além disso, os investimentos médios no setor foram estimados em R$ 48 por habitante, mas o estudo alerta que seria necessário mais que dobrar esse valor para que os municípios avancem rumo à universalização até 2033.

A Região Norte aparece entre as mais vulneráveis. As chuvas intensas e frequentes tornam cidades amazônicas especialmente expostas a alagamentos urbanos, deslizamentos e danos à saúde pública. No Acre, o quadro se mostra ainda mais delicado, com indicadores que revelam um atraso histórico na área de drenagem.

O cenário no Acre

Enquanto o Brasil registra investimentos médios de R$ 48 por habitante em drenagem, o Acre aplicou apenas R$ 3,00 per capita em 2023, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Já em Rio Branco, a média de investimento em saneamento básico — que inclui drenagem — entre 2017 e 2021 foi de apenas R$ 32,63 por habitante, valor que coloca a capital entre as piores do país em destinação de recursos para o setor.

Além dos baixos investimentos, a capital não possui um Plano Diretor de Drenagem Urbana, o que a exclui do pequeno grupo de 5,3% dos municípios brasileiros que contam com planejamento estruturado. Isso significa que bairros como Seis de Agosto, Taquari e Cadeia Velha seguem convivendo com alagamentos recorrentes após chuvas fortes, resultado direto da ausência de galerias pluviais adequadas e da sobrecarga dos bueiros existentes.

Em 2024, o estado foi contemplado com R$ 193 milhões do Novo PAC, destinados a 24 obras de infraestrutura, incluindo projetos de drenagem urbana sustentável em 14 municípios.

Outro ponto sensível é a falta de transparência nos dados: os relatórios do SNIS não apresentam indicadores consolidados sobre a porcentagem de vias com galerias pluviais no Acre, dificultando o acompanhamento detalhado da situação local.

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