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As autoescolas do Acre atravessam um dos períodos mais delicados dos últimos anos. Mudanças recentes nas normas que regem o processo de formação de condutores resultaram em queda brusca no faturamento, redução de equipes e risco de encerramento de atividades em diversas unidades do estado.
A crise é atribuída principalmente à Resolução nº 1.020/2025, que alterou procedimentos e exigências para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todo o país. Desde a entrada em vigor da norma, centros de formação de condutores (CFCs) relatam dificuldades para manter a operação nos moldes anteriores.
De acordo com representantes do setor, os impactos não se limitam ao Acre. A nova regulamentação tem provocado instabilidade financeira em autoescolas de diferentes regiões do Brasil, levando empresas a rever estruturas internas e reduzir custos para evitar o fechamento.
No estado, os efeitos já são visíveis. Empresas do setor confirmam a realização de demissões em série, envolvendo cargos administrativos, direção pedagógica e instrutores. A redução do quadro funcional tem sido apontada como uma medida emergencial para garantir a continuidade dos serviços.
Além do impacto econômico, o segmento alerta para consequências diretas na qualidade da formação de novos condutores. Segundo profissionais da área, a diminuição da estrutura pedagógica compromete o processo educativo e pode refletir negativamente na segurança do trânsito.
A forma de implementação da resolução também tem sido alvo de críticas. Autoescolas e entidades representativas relatam que as mudanças ocorreram sem período adequado de adaptação, o que motivou o ajuizamento de ações na Justiça Federal em diferentes estados.
As contestações questionam tanto o conteúdo da resolução quanto a ausência de critérios considerados essenciais para garantir um processo de habilitação seguro, padronizado e acessível à população.
Empresários do setor confirmam que a retração financeira é significativa. Em alguns casos, a queda no faturamento chega a 70%, inviabilizando a manutenção do número anterior de funcionários e elevando o risco de fechamento definitivo das empresas.
Atualmente, o Acre conta com 52 autoescolas em funcionamento, número inferior ao registrado no início do ano. A expectativa do setor é de que novas unidades encerrem as atividades nos próximos meses caso o cenário não seja revertido.
Mesmo diante da crise, as autoescolas continuam oferecendo pacotes de aulas práticas, com valores que variam conforme a categoria e a quantidade contratada. Os preços praticados no mercado local seguem a média estadual:
- Categoria A (moto): entre R$ 420 e R$ 1.150
- Categoria B (carro): entre R$ 490 e R$ 1.550
- Categoria AB: entre R$ 710 e R$ 2.415
Em alguns casos, os pacotes não incluem curso teórico, conforme o novo modelo estabelecido.
O setor aguarda agora decisões judiciais e possíveis revisões na regulamentação federal. Empresários defendem ajustes que garantam equilíbrio econômico às autoescolas sem comprometer a qualidade da formação de condutores e a segurança viária.
Enquanto isso, o cenário permanece de incerteza, com impactos diretos sobre trabalhadores, empresários e candidatos à habilitação em todo o estado. (Com informações agazetadoacre)
