Estado reúne líderes de onze países e reforça protagonismo amazônico no combate às mudanças climáticas
Com uma fala enfática sobre o papel da Amazônia no futuro do planeta, o governador Gladson Cameli abriu oficialmente, na terça-feira, 20, a Assembleia Geral da 15ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF Task Force). O evento, realizado em Rio Branco, marca o retorno do Acre ao centro do debate climático internacional e reúne delegações de 43 estados subnacionais de 11 países, responsáveis por mais de um terço das florestas tropicais do mundo.
Cameli, que preside atualmente a Força-Tarefa, convocou os países-membros a assumirem um protagonismo mais ousado diante dos desafios globais das mudanças climáticas. “Com 85% de nosso território coberto por floresta preservada, o Acre é a prova de que desenvolvimento e sustentabilidade podem caminhar juntos”, declarou.

Durante a Assembleia, foram votadas medidas estratégicas, como a integração das províncias de Orellana (Equador) e Beni (Bolívia) como novos membros efetivos da coalizão, além da inclusão de sete outras jurisdições como observadoras. O tema da edição, “Nova Economia Florestal: conectando governos, povos e oportunidades”, pautou as discussões sobre financiamento climático, cadeias produtivas sustentáveis e preparação dos estados amazônicos para a COP30, que será realizada em Belém.
O líder do projeto global do GCF, William Boyd, destacou a liderança do Acre nas políticas ambientais subnacionais e a capacidade de articulação do estado no cenário internacional. “A verdadeira implementação das políticas climáticas está acontecendo nos territórios. O Acre tem voz, tem proposta e tem prática.”
Diálogo com os Povos da Floresta
As agendas do evento começaram já na segunda-feira, 19, com reuniões do Comitê Global para Parcerias com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. Pela manhã, o espaço foi dedicado ao fortalecimento institucional do comitê e à articulação por maior autonomia dos povos da floresta na gestão territorial e no acesso a financiamentos.
À tarde, a experiência do Acre com o programa ISA Carbono, política pública referência do REDD+ Jurisdicional, foi apresentada pela presidente do Instituto de Mudanças Climáticas, Jacksilande Araújo, e pela secretária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara. Ambas defenderam uma atualização da repartição dos benefícios, hoje com apenas 12% destinados aos povos indígenas. “As mudanças climáticas já impactam diretamente nossas comunidades. É preciso reequilibrar esse repasse”, afirmou Arara.
A reunião teve ainda a presença de delegados de países como Peru, México, Bolívia e Indonésia. O indígena Yawanawá, Tashka Peshaho, ressaltou que o Acre possui um modelo com potencial de atrair investimentos internacionais com base em práticas concretas e alinhadas à justiça climática.

Rumo à COP30
A Assembleia Geral também reforçou a necessidade de articulação entre os estados da Amazônia Legal para chegar à COP30 com propostas consistentes e coesas. “Queremos ir a Belém com um pacote de soluções práticas e a certeza de que as vozes da floresta não serão ignoradas”, disse Cameli.
Nos próximos dias, os representantes internacionais visitarão experiências locais em sistemas agroflorestais, bioeconomia e gestão territorial indígena, consolidando o Acre como um laboratório vivo de alternativas sustentáveis para o mundo.
Próximos dias do GCF focam em soluções práticas para a Amazônia
Rio Branco segue como epicentro das discussões climáticas globais nesta semana. Após abrir a Assembleia Geral da 15ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF Task Force), o Acre se prepara para três dias decisivos: visitas técnicas, sessões temáticas e encontros de alto nível que revelam o esforço dos estados amazônicos para construir uma nova economia florestal – e exigir espaço na COP30.
Nesta quarta-feira (21), cinco rotas técnicas partem de Rio Branco rumo a territórios onde a floresta resiste com apoio da ciência, da produção familiar e do conhecimento tradicional. Representantes de 11 países conhecerão experiências locais em agroflorestas, manejo de castanha e borracha, rastreabilidade do café clonal e iniciativas indígenas de proteção e governança. O estado apresenta, na prática, o que significa integrar conservação e renda, floresta em pé e gente dentro.

Na quinta (22), a programação retorna à Universidade Federal do Acre com uma série de sessões simultâneas. Serão debates densos, voltados a temas como mecanismos de financiamento climático, governança socioambiental, cadeias sustentáveis e instrumentos de cooperação internacional. A meta é clara: consolidar propostas viáveis para o uso do território amazônico que atraiam recursos e respeitem direitos.
O Acre deve apresentar avanços na política de REDD+ jurisdicional, considerada referência internacional. A presença de lideranças indígenas, extrativistas e jovens reforça o tom de que a transição climática precisa ser construída com quem vive na floresta – e não sobre ela.
Na sexta-feira (23), com a presença de governadores e autoridades internacionais, o evento encerra com o Segmento de Alto Nível. O painel de abertura discutirá o papel dos governos subnacionais na COP30 e a urgência de uma nova arquitetura climática que reconheça os territórios como espaços de ação real.
Ao abrir suas experiências ao mundo, o Acre não apenas reforça sua posição histórica na agenda ambiental – ele sinaliza que a Amazônia não precisa ser palco de promessas, mas território de soluções. E que a floresta, quando respeitada, pode ser motor de desenvolvimento.
