A fuga de Danilo Sousa Cavalcante, de 34 anos, condenado à prisão perpétua nos EUA por matar a ex-mulher a facadas, tem movimentado as autoridades norte-americanas. No Tocantins, onde o fugitivo também é acusado pela morte de Valter Júnior Moreira dos Reis, a família da vítima relembrou o dia do assassinato e as marcas deixadas pela perda.
O criminoso estava preso nos EUA pela morte de Débora Evangelista Brandão, de 34 anos, com quem ele tinha um relacionamento. O crime aconteceu na cidade de Phoenixville, em abril de 2021. Danilo esfaqueou a vítima na frente dos dois filhos e foi preso horas depois do crime. A fuga foi registrada no dia 31 de agosto deste ano.
No Tocantins, o homicídio foi registrado em 5 de novembro de 2017 na cidade de Figueirópolis, na região sul do estado. Valter foi assassinado a tiros em uma lanchonete da cidade.
Tiros em lanchonete
De acordo com a irmã da vítima, Daiane Moreira dos Reis, muitas pessoas estavam no local porque havia uma festa na cidade. Ela também falou que a perda abalou toda a família e que sente falta da presença do irmão.
“Foi uma noite assustadora. Ele esta no barzinho tranquilo e quando voltei já estava morto. Estava de boa, tomando refrigerante com os amigos dele. Ele me disse ‘vou tomar esse refrigerante aqui e vou ficar com a minha mãe’ e eu disse ‘então, tá bom’ (sic). Quando cheguei em casa só ouvi os tiros”, disse Daiane. Segundo ela, a casa da mãe fica bem perto do local onde o irmão foi assassinado.
Ela contou, ainda, que sentiu uma ansiedade quando ouviu os tiros, pegou a bicicleta e foi ao local, mas não acreditava que era Valter que havia sido baleado.
Motivo de disparos desconhecido
Sobre a personalidade da vítima, ela contou que o irmão era quieto, mas ao mesmo tempo alegre, e não tinha inimizade com ninguém.
“Todo mundo achava ele uma pessoa boa, amorosa. Ele era uma pessoa que gostava de fazer favor para as pessoas e não cobrava nada em troca”, afirmou.
Valter trabalhava em uma loja de materiais de construção da cidade, segundo Daiane, todo mundo gostava dele no local.
A família não tem dúvidas que o autor dos disparos que mataram a vítima é Danilo, até porque muitas pessoas o viram saindo correndo da cena do crime.
Sobre a relação entre o irmão e o foragido, Daiane contou que eles conversavam pelas redes sociais, por onde a vítima teria recebido ameaças. No entanto, Valter não explicava o que estava acontecendo entre eles.
“Ele pensava que era amigo e que não ia fazer isso com ele. Mas meu irmão não falava nada. Ele era uma pessoa muito calada. Se ele tinha um problema ficava caladinho, só resolvia ele e a pessoa”, comentou.
Com relação ao processo judicial pela morte do irmão, Daiane lamentou que “não deu em nada” mesmo após os pedidos de justiça. “Parou, ficou por isso, ninguém falou nada. No dia que fui lá na delegacia correr atrás, falaram que está na mão da Justiça”.
Até hoje a família sofre com a falta de Valter. “Minha mãe ficou acabada. Depois que o filho dela morreu, nunca foi a mesma. Chora demais, ficou diferente. Acabou com a nossa família. Meu pai também nunca mais foi o mesmo. Ficou muito assim… aéreo. Ainda dói, né”, lamentou a irmã. (G1)
