Rio Branco, Acre - quarta-feira, 25 fevereiro, 2026

Na roda desde 1976, Jorge Aragão ganha terceiro tributo fonográfico em um ano com álbum ao vivo de Renan Oliveira

Na roda desde 1976, Jorge Aragão ganha terceiro tributo fonográfico em um ano com álbum ao vivo de Renan Oliveira

Jorge Aragão tem obra regravada pelo cantor Renan Oliveira no álbum ao vivo ‘Samba e prece’
Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ Jorge Aragão completa 77 anos no próximo domingo, 1º de março, em meio a um movimento ascendente de valorização da obra desse compositor carioca revelado há 50 anos com a gravação em 1976, pela cantora Elza Soares (1930 – 2022), do então inédito samba “Malandro” – composto por Aragão por volta de 1968, bem antes da fama, com João Batista Alcântara, o parceiro dos primórdios que se tornaria conhecido no meio artístico pela alcunha de Jotabê.
Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o cantor Renan Oliveira lança o álbum ao vivo “Samba e prece – Renan Oliveira canta Jorge Aragão” com o registro audiovisual do show em que dá voz a músicas do repertório do compositor de sambas como “Mutirão de amor” (Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e Sombrinha, 1983) e “Moleque atrevido” (Jorge Aragão, Flávio Cardoso e Paulinho Resende, 1998), ambos incluídos por Renan no roteiro do show captado em novembro em apresentação do artista na casa de samba Batuq, situada na Penha, bairro da zona norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
A edição da gravação do show chama atenção pelo fato de o álbum de ao vivo de Renan Oliveira já ser o terceiro tributo fonográfico a Jorge Aragão lançado no espaço de um ano.
Em março do ano passado, a cantora Eliana Pittman apresentou o álbum “Nem lágrima nem dor” (2025) com produção musical e arranjos arrojados do paulistano Rodrigo Campos.
Neste mês de fevereiro de 2026, precisamente no dia 6, o coletivo carioca Monobloco lançou o álbum “Mar de Aragão – Monobloco canta Jorge Aragão” (2026) com ênfase no repertório folião do compositor de sucessos carnavalescos como “Alegria Carnaval” (Jorge Aragão e Nilton Barros, 1982), “Suor no rosto” (Jorge Aragão, Nilton Barros e Edel Ferreira, o Dida, 1983) e “Toque de malícia” (1984).
Capa do álbum ‘Samba e prece – Renan Oliveira canta Jorge Aragão’, de Renan Oliveira
Filipe Kennedy
Com 26 músicas distribuídas em 12 faixas, o álbum “Samba e prece – Renan Oliveira canta Jorge Aragão” enfatiza a pluralidade da obra de Aragão, compositor aclamado com o epíteto de O poeta do samba pelo acento melancólico das melodias desse cancioneiro e pelo tom geralmente lírico de letras que versam sobre amor, desamor, orgulho negro – exposto por exemplo em “Identidade” (1992), uma das músicas cantadas por Renan Oliveira com arranjos de Jotinha Harmonia – e o próprio samba.
Nascido em 1º de março de 1949, Jorge Aragão da Cruz já se aproxima dos 80 anos de vida como unanimidade e referência no universo do samba, e não somente do samba do Rio de Janeiro (RJ), cidade que aniversaria no mesmo dia deste cantor, compositor e músico carioca de ascendência amazonense e infância vivida no bairro de Padre Miguel, berço da escola de samba Mocidade Independente.
De todos os bambas associados sobretudo ao pagode carioca dos anos 1980, Jorge Aragão foi o primeiro a entrar na roda. Curiosamente, Aragão não foi embalado no berço do samba. Aliás, na adolescência, Aragão gostava mesmo era de ouvir rock. Somente caiu no samba por volta dos 18 anos ao conhecer o já supracitado Jotabê, parceiro dos primeiros sucessos como “Logo agora” (1979).
Antes de se tornar sambista de alta patente, reverenciado pelas melodias sensíveis e pelo versos poéticos (embora transite por todas as vertentes do samba), Aragão foi corneteiro de quartel. Só que o apito do samba tocou mais alto quando ele se integrou à turma que se reunia na quadra do bloco Cacique de Ramos, onde Beth Carvalho (1946 – 2019) ouviu e gravou “Vou festejar” (1978), samba composto por Aragão com os parceiros amigos Edel Ferreira de Lima – o Dida – e Neoci Dias de Andrade.
O resto foi uma história pavimentada com coerência e celebrada por Eliana Pittman, Monobloco e Renan Oliveira em álbuns de gêneses tão diferentes, mas que se irmanam pela devoção ao cancioneiro de Jorge Aragão.
Renan Oliveira se apresenta na casa Batuq, onde gravou em novembro o álbum ao vivo ‘Samba e prece – Renan Oliveira canta Jorge Aragão’
Filipe Kennedy / Divulgação

Fonte: G1

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