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A presença de mulheres indígenas nos debates sobre mudanças climáticas tem ampliado a visibilidade das realidades vividas nos territórios tradicionais. Entre as vozes que vêm ganhando projeção está a da bióloga e comunicadora indígena Samela Sateré-Mawé, que utiliza ciência, comunicação e ativismo para levar ao debate internacional as experiências e desafios enfrentados pelos povos originários no Brasil.
Integrante do povo Sateré-Mawé, Samela atua na produção e compartilhamento de histórias que conectam conhecimento tradicional, defesa do território e mudanças climáticas. A estratégia combina narrativas digitais, participação em debates públicos e produção de conteúdos voltados à valorização das comunidades indígenas e de suas formas próprias de relação com a natureza.
A comunicadora também participa da iniciativa ANMIGA – Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, rede que reúne lideranças femininas de diferentes povos. O movimento busca fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas em pautas ligadas à defesa da vida, da terra e das futuras gerações, além de ampliar a presença dessas lideranças em espaços de decisão.
Plataformas digitais e redes de comunicação indígena têm desempenhado papel importante nesse processo. Por meio desses canais, lideranças e comunicadores ampliam o alcance de suas vozes e contestam a invisibilidade histórica de suas realidades em parte da mídia tradicional, que muitas vezes retrata a Amazônia e os povos originários de forma limitada.
O crescimento dessa presença também ocorre em momentos estratégicos do debate climático global, como as conferências internacionais sobre meio ambiente. Nesses espaços, comunicadoras indígenas vêm defendendo que qualquer discussão sobre clima, conservação e desenvolvimento inclua necessariamente os conhecimentos, territórios e direitos dos povos que historicamente protegem a floresta.
