Foto: Jardy Lopes
Moradores da Baixada da Sobral ocuparam a Câmara Municipal na manhã DE terça-feira, 20, para protestar contra a possibilidade de o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop) ser transferido para o bairro Castelo Branco, uma das comunidades da região.
A mobilização, organizada por líderes comunitários, cobra um posicionamento público dos vereadores e o arquivamento definitivo da proposta. Representantes de 21 bairros participaram do ato. Eles argumentam que a medida pode intensificar os já graves problemas sociais da Baixada — área marcada pela ausência do Estado, carência de políticas públicas e altos índices de vulnerabilidade.
“Não é só o bairro Castelo Branco. São 21 comunidades que serão impactadas. O poder público quer empurrar mais um problema social para uma região que já está à beira do colapso”, afirmou Vânia Rodrigues, presidente do bairro Ayrton Senna, que lidera o movimento.
A Prefeitura de Rio Branco confirmou que o Centro Pop deixará a região central da capital, mas negou que haja definição sobre o novo endereço. A Secretaria Municipal de Assistência Social estaria avaliando imóveis para abrigar a estrutura definitiva, que atende pessoas em situação de rua com serviços de alimentação, higiene, apoio psicossocial e encaminhamentos.
Para os moradores, a transferência não é apenas uma mudança geográfica. É o reflexo de uma política de exclusão que empurra populações marginalizadas para as periferias, sem a devida estrutura ou diálogo com quem vive nesses territórios.
“O que a gente está pedindo aqui não é que os moradores em situação de rua sejam abandonados. Pelo contrário. Eles precisam de atendimento, trabalho, assistência médica, tratamento. Mas jogar isso dentro da Baixada, sem infraestrutura, é uma injustiça com todos”, disse Vânia.
Os vereadores ouviram os manifestantes, ouviram as demandas e se comprometeram em debater alternativas viáveis a todos os lados junto a Prefeitura de Rio Branco.
A mobilização na Câmara é apenas um dos desdobramentos de uma série de manifestações que têm sido realizadas desde a semana passada nos bairros da Baixada. Os protestos revelam uma tensão cada vez mais latente entre comunidades periféricas e o poder público, diante de decisões tomadas sem escuta nem planejamento estruturado.
Se a cidade quer resolver os desafios da população em situação de rua, precisa começar reconhecendo que não se trata apenas de mudar um endereço — mas de mudar a forma como o Estado trata as pessoas. “A gente pede que os moradores em situação de rua sejam levados para um lugar onde possam trabalhar. Com tratamento médico, assistência. Não jogar dentro da nossa Baixada, onde a gente já tem vários problemas sociais para enfrentar”, disse o presidente do parlamento, vereador Joabe Lira (UB).
