Karol Conká durante show de aniversário do álbum ‘Batuk Freak’ em São Paulo
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Em 2013, Karol Conká se apresentou ao Brasil com seu álbum de estreia, “Batuk Freak”. Misturando rap, pop e elementos da cultura afro-brasileira, o álbum se tornou referência da cultura hip-hop nacional.
Nascida em Curitiba, capital do Paraná, Conká invadia a cena dominada por homens do eixo Rio-São Paulo com um trabalho de som disruptivo, letras engajadas e flow único.
13 anos depois, “Batuk Freak” é citado como icônico pelas novas gerações e, de tanto os fãs pedirem, a rapper decidiu fazer uma turnê especial de aniversário – iniciada com dois shows em São Paulo, nos dias 18 e 19 de maio. Ela também passará por Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.
Ao g1, ela explicou que sua ideia foi montar uma apresentação que tenha um pouco do espírito da época de lançamento do disco, mas com um repertório que dialogue com outros trabalhos.
“Fico muito grata ao ver o ‘Batuk Freak’ ser reconhecido décadas depois como algo que despertou a criatividade de outras pessoas. Adoro encontrar fãs e ouvir como esse trabalho transformou personalidades. Me sinto no lugar de admiradora sendo admirada por essa nova geração.”
Nascimento do batuque maluco
O álbum de estreia da cantora foi gestado ainda em 2011, com os primeiros singles feitos em parceria com o produtor Nave, também curitibano.
Conká, que morava no bairro Boqueirão, a cerca de 10km do Centro de Curitiba, lembrava que ir até um estúdio profissional e gravar era um sonho de adolescente.
“Foi difícil acreditar que minha arte tocaria pessoas fora de Curitiba. Lembro que eu falava do Nave [produtor do álbum] e da galera do rap como ‘os meninos do Centro’, porque já era algo extraordinário sair ali do meu mundinho, da periferia. Foi o momento mais puro da minha vida”.
Naquele mesmo ano, Nave decidiu compartilhar “Boa Noite”, que viria a ser o principal single do “Batuk Freak”, em um concurso de apostas da MTV.
Nave Beatz e Karol Conká quando ainda eram parceiros, no clipe de ‘Boa noite’, faixa do disco ‘Batuk freak’ (2013), que fez despontar a carreira dela como cantora e a dele como produtor musical
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Foi com essa exposição que a rapper teve seu primeiro grande impulso e decidiu que precisava fazer um álbum e mostrar seu trabalho para o mundo.
13 anos depois, “Batuk Freak” parece um trabalho que foi planejado para causar impacto. Mas, lá de início, a ideia era só fazer umas rimas num estúdio profissional mesmo.
“Sair de Curitiba e furar o eixo Rio-São Paulo parecia impossível, mas eu tinha uma vontade imensa de conectar minha arte com o mundo. Com o apoio da MTV e do produtor Nave, que subiu minhas músicas na internet, mostrei que uma garota da periferia podia alcançar o topo.”
Guardando o passado com carinho
Durante a entrevista, Conká fez questão de mencionar por diversas vezes o nome de Nave Beatz, produtor do álbum, e sua esposa, Drica Lara.
“Lá no começo [da carreira] eu não conseguia focar em tantas informações que chegavam de uma vez. Contei com ajuda muito importante do Nave e da Drica. Eles foram me ensinando e mostrando os caminhos mais administrativos e a responsabilidade sobre uma carreira artística”, explica.
Um dos grandes nomes do rap nacional, o produtor tem no currículo trabalhos assinados com Emicida, Marcelo D2, Flora Matos, além de três Grammys Latino.
Nave Beatz levou o Grammy após produção de álbum ‘AmarElo’, do Emicida
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A menção frequente chama a atenção, pois os três já trocaram reclamações públicas envolvendo direitos autorais por conta do álbum.
Em 2021, o disco chegou a ser retirado das plataformas de streaming, enquanto o produtor alegava não ter sido pago pelo trabalho, o que a cantora contestava (entenda a treta completa aqui).
Quem assistiu Karol Conká durante e depois do “BBB 21”, com suas polêmicas e a alta rejeição, sabe que ela passou por um período de reconstrução pessoal. E foi justamente nesse momento que chegaram ao conhecimento público os problemas envolvendo a parceria com Nave.
A cantora diz que, hoje, essa não é uma “questão” para ela e que fica com as boas memórias da construção do álbum com o produtor.
“Nunca deixei que problemas externos ou burocráticos interferissem na atmosfera musical do ‘Batuk Freak’. Adoro separar bem o que é a obra e aquela energia boa do que são os assuntos delicados. O tempo é o melhor remédio e, para mim, a música sempre vai falar mais alto.”
Pressão pelo novo ‘álbum da vida’
Karol Conká se apresenta no Palco The One do The Town
Natalia Rampinelli/ Agnews
Depois do seu trabalho de estreia, Conká rodou o mundo, se apresentou em grandes festivais e virou referência do rap. E costuma responder com frequência a pergunta: quando vem um novo “Batuk Freak”?
Desde então, lançou outros dois álbuns (“Ambulante”, em 2018, e “Urucum”, em 2022), e tem singles de sucesso como “Tombei” e “É O Poder”.
No entanto, é como se ela enfrentasse uma pressão para superar seu trabalho de estreia.
“Vejo com carinho [essa pressão], porque também acho que é o álbum da minha vida. Foi o primeiro que gravei e disse: ‘É um álbum’. A primeira obra é o xodó.”
