Rio Branco, Acre - terça-feira, 30 junho, 2026

Ministério da Saúde amplia prazo para vacinação contra o HPV e reforça campanha para imunizar adolescentes de 15 a 19 anos

Foto: Internet 

O Ministério da Saúde prorrogou até o dia 31 de dezembro a estratégia nacional de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) destinada a adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam o imunizante. A campanha, que seria encerrada neste mês, foi estendida diante da necessidade de ampliar a cobertura vacinal e alcançar milhares de jovens que permanecem desprotegidos contra o vírus, principal responsável por diversos tipos de câncer.

A decisão foi comunicada aos estados e municípios por meio de ofício encaminhado pelo ministério, que orienta as secretarias de saúde a intensificarem as ações de busca ativa e a ampliarem as estratégias de vacinação para atingir o público-alvo antes do encerramento da campanha.

Segundo a pasta, apesar do avanço registrado desde o início da mobilização, o número de adolescentes imunizados ainda está abaixo da meta estabelecida pelo governo federal. A expectativa é vacinar mais de 600 mil jovens que perderam a oportunidade de receber a dose na faixa etária recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Dados atualizados até o mês de junho apontam que 287.647 adolescentes entre 15 e 19 anos receberam a vacina durante a estratégia de resgate vacinal. Desse total, 124.172 são meninas e 163.502 são meninos.

Para ampliar esse alcance, o Ministério da Saúde orienta que estados e municípios promovam campanhas fora das unidades básicas de saúde, levando a vacinação para escolas, universidades, centros comunitários e outros locais de grande circulação de adolescentes e jovens.

Além das ações itinerantes, a pasta recomenda o fortalecimento de parcerias com instituições de ensino, sociedades científicas, conselhos profissionais, organizações da sociedade civil, igrejas e veículos de comunicação, buscando ampliar a conscientização da população sobre a importância da imunização e combater informações falsas relacionadas à vacina.

O HPV é um vírus transmitido principalmente por contato sexual e está associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre eles estão o câncer do colo do útero, considerado um dos que mais acometem mulheres em todo o mundo, além de tumores que atingem ânus, vulva, vagina, pênis, boca, garganta e outras regiões da cabeça e do pescoço.

A vacina integra o Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, substituindo o antigo modelo de duas aplicações. A mudança foi baseada em evidências científicas que demonstraram elevada eficácia da imunização com apenas uma dose nessa faixa etária.

Entretanto, alguns grupos continuam seguindo um esquema especial de três doses. É o caso de pessoas imunocomprometidas, como pacientes que vivem com HIV, transplantados, pessoas em tratamento oncológico, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), entre 15 e 45 anos, e vítimas de violência sexual com idade igual ou superior a 15 anos.

Especialistas reforçam que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a infecção persistente pelo vírus e, consequentemente, reduzir o risco de desenvolvimento de cânceres relacionados ao HPV.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explica que o vírus pode permanecer no organismo por muitos anos sem apresentar sintomas e, em alguns casos, provocar alterações celulares que evoluem para tumores malignos.

Segundo ele, a imunização antes do início da vida sexual oferece a maior proteção possível, impedindo que o organismo seja infectado pelos principais tipos do vírus contemplados na vacina.

Além da proteção individual, a vacinação de meninas e meninos contribui para reduzir a circulação do HPV na população, diminuindo a transmissão do vírus e ampliando a proteção coletiva. Países que alcançaram elevadas coberturas vacinais já registraram redução significativa nos casos de verrugas genitais e nos índices de câncer de colo do útero e de outras doenças associadas ao HPV.

O Ministério da Saúde reforça que a vacina possui elevado perfil de segurança, é amplamente utilizada em diversos países e representa uma das principais estratégias de prevenção de câncer disponíveis atualmente. A orientação é que adolescentes que ainda não receberam a dose procurem a unidade de saúde mais próxima para verificar sua situação vacinal e garantir a imunização dentro do prazo estabelecido pela campanha de resgate.

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