Milho avança na safrinha, mas clima expõe limites da janela no Acre

Foto: Internet

Foto: Internet

A lógica de intensificação do campo acreano se aprofunda com o milho. A primeira safra manteve estabilidade, mas é a segunda safra — a chamada safrinha — que ganhou corpo e projeta o futuro da cultura no estado. Em 2025, a produção avançou para 48 mil toneladas, impulsionada pela expansão de área a 11,3 mil hectares.

O sinal de alerta, porém, veio dos números de produtividade: o rendimento médio caiu de 4.362 para 4.249 kg/ha, evidenciando que parte da expansão tocou o limite agronômico da janela em algumas regiões.

O desenho climático ajuda a explicar. Chuvas fortes em abril atrasaram a colheita da soja e comprimiram o calendário de plantio do milho. Em seguida, a redução brusca de precipitação em maio e junho — meses de transição para a estação seca — reduziu a disponibilidade hídrica em fases críticas da lavoura.

No comércio exterior, o semestre foi de ajustes. O Acre exportou 1.911 toneladas, queda de 12,4% em relação ao mesmo período de 2024. A receita também recuou, de US$ 489,8 mil para US$ 372,5 mil (-24%). A queda foi puxada pelos meses de março e abril, quando a oferta se retraiu.

Ainda assim, houve sinais de força e sazonalidade. Janeiro abriu o ano com 1.159,5 toneladas exportadas, alta de 21,3% sobre janeiro de 2024. Já junho surpreendeu: o salto foi de 29 toneladas em 2024 para 448 toneladas em 2025, refletindo a combinação entre janela de colheita e picos de demanda do mercado peruano.

Os dados integram o Boletim de Grãos do Acre – Safra 2024/2025, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), por meio de seu Departamento Técnico, que apresenta uma leitura detalhada sobre o desempenho das lavouras e o peso crescente do estado no comércio de grãos.

Compartilhar