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O cooperativismo já movimenta cadeias produtivas estratégicas no Acre, regula mercados e ajuda a reduzir a pressão sobre serviços públicos. Ainda assim, permanece à margem das decisões centrais do planejamento econômico estadual. A contradição é apontada pelo presidente da OCB/AC, Valdemiro Rocha, como um dos principais entraves ao avanço do setor.
Na prática, cooperativas de crédito interiorizaram o acesso a financiamentos, cooperativas de saúde aliviaram a sobrecarga do SUS e cooperativas agroprodutivas passaram a organizar cadeias como café, castanha e borracha. “Quando uma cooperativa de saúde atende seus usuários, ela desafoga diretamente a rede pública”, explicou Valdemiro.
Apesar disso, o cooperativismo quase não aparece nos instrumentos oficiais de planejamento. “Quando você olha para os planos de governo, para os PPAs e para os orçamentos municipais e estaduais, o cooperativismo não aparece de forma clara”, afirmou. Segundo ele, sem orçamento definido, não há política pública estruturada, apenas ações pontuais.
Essa ausência obriga o setor a depender constantemente de articulação política. “Se o cooperativismo estivesse previsto nos orçamentos, não precisaríamos gastar tanta energia negociando cada passo”, disse. Para Valdemiro, o reconhecimento informal do impacto econômico não basta: o desafio agora é transformar o cooperativismo em eixo estratégico permanente do desenvolvimento estadual.
