Foto: Alice Leão/Secom
Uma investigação da Polícia Civil do Acre revelou um esquema de desvio e venda clandestina de medicamentos e insumos hospitalares que deveriam abastecer a rede pública de saúde. A operação, realizada nesta segunda-feira (5), apreendeu uma carga avaliada em até R$ 1 milhão dentro de uma residência no bairro da Pista, na Baixada da Sobral, em Rio Branco, e resultou na prisão em flagrante de um suspeito. Segundo a polícia, o material era destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A ação é fruto de uma apuração conduzida pela Delegacia de Crimes Fazendários (Defaz), iniciada após alerta formal da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). Durante coletiva, o diretor-geral da Polícia Civil, Henrique Maciel, afirmou que o volume e o tipo dos medicamentos encontrados indicam a atuação de uma quadrilha. Entre os itens apreendidos há medicamentos de alto custo, controlados e insumos como sondas, gases e luvas, retirados, possivelmente, de unidades estaduais e municipais.
De acordo com o secretário de Saúde, Pedro Pascoal, a suspeita surgiu após inconsistências recorrentes nos estoques. O Estado planejava compras que, na prática, nunca eram suficientes para atender a demanda real dos pacientes, o que levantou a hipótese de desvios internos. As medicações, explicou, são rastreáveis por códigos de barras e números de série, o que deve permitir identificar a origem exata do material, incluindo unidades como pronto-socorro, Fundhacre, maternidade e hospitais do interior.
Responsável pelo inquérito, o delegado Igor Brito destacou que a apreensão representa apenas o primeiro avanço concreto da investigação. A carga, transportada em caminhões devido ao grande volume, passará por perícia técnica, enquanto a polícia aprofunda as apurações para identificar outros envolvidos no esquema, inclusive possíveis servidores públicos.
O suspeito preso, Eugênio Gonçalves Neves, ex-balconista de farmácia, foi encaminhado ao Departamento de Investigações Criminais (DEIC) e à Delegacia de Flagrantes (Defla). A Polícia Civil não descarta novas prisões e trata o caso como prioritário, por atingir diretamente pacientes em tratamento de doenças graves. Para os investigadores, o desvio de medicamentos não é apenas um crime financeiro, mas uma violação que atinge vidas e compromete a confiança no sistema público de saúde.
