Rio Branco, Acre - segunda-feira, 06 abril, 2026

MCTI abre chamada para agricultura familiar e pode impulsionar cadeias produtivas no Acre

Foto: Internet 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) abriu uma chamada pública com aporte de R$ 150 milhões voltada ao fortalecimento das cadeias socioprodutivas da agricultura familiar e de sistemas agroalimentares sustentáveis. A iniciativa, executada em parceria com a Finep e financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), busca incentivar projetos com base em inovação, tecnologia e sustentabilidade no campo.

A chamada prioriza propostas em quatro áreas estratégicas: bioinsumos, sistemas de produção agroecológicos e orgânicos, soluções digitais para pequenas propriedades rurais e aquicultura com espécies nativas. Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), públicas e privadas, podem submeter projetos até o dia 19 de junho, conforme regras disponíveis na plataforma da Finep.

A iniciativa surge em um momento em que estados da Amazônia, como o Acre, enfrentam desafios estruturais na produção rural, como baixa adoção de tecnologia, dependência de insumos externos e dificuldade de acesso a mercados mais competitivos. Ao mesmo tempo, o estado reúne condições naturais favoráveis para o desenvolvimento de cadeias sustentáveis, como a produção de café, cacau, mel e pescado nativo.

Na prática, o edital pode representar uma oportunidade para impulsionar a bioeconomia local, ampliar a produtividade de pequenos produtores e fortalecer cooperativas. Projetos voltados à produção sustentável e ao uso de tecnologias adaptadas à realidade amazônica tendem a ganhar espaço na seleção, especialmente aqueles que integrem conhecimento científico com práticas tradicionais.

O desafio, no entanto, está na capacidade de articulação local para acessar os recursos disponíveis. Sem projetos estruturados e instituições preparadas para disputar os investimentos, há risco de que estados com maior tradição em pesquisa e inovação concentrem a maior parte dos recursos, deixando regiões como o Acre novamente à margem de políticas estratégicas para o desenvolvimento do setor.

Compartilhar