Rio Branco, Acre - quinta-feira, 18 junho, 2026

Maria Bethânia 80 anos: cantora doma os palcos com presença magnética

Maria Bethânia 80 anos: cantora doma os palcos com presença magnética

Maria Bethânia em cena no show comemorativo dos 50 anos de carreira, ‘Abraçar e agradecer’, estreado em 2015
Rodrigo Goffredo
♫ MARIA BETHÂNIA 80 ANOS
♬ Maria Bethânia construiu discografia praticamente irretocável ao longo de 61 anos de carreira fonográfica. A força da artista também se manifesta em gravações de estúdio. Contudo, há consenso entre os seguidores de Bethânia – cantora que completa 80 anos hoje, 18 de junho, cercada de louvações nas redes sociais e na imprensa cultural – de que é no palco que a intérprete se manifesta em toda a plenitude.
De fato, Bethânia doma os palcos com magnética presença cênica. Tanto que foi em cena que a cantora despertou a atenção do Brasil pela primeira vez, em fevereiro de 1965, ao cantar “Carcará” no teatralizado show “Opinião”. De lá para cá, Maria Bethânia se impôs como a senhora da cena.
No começo, os shows eram em boates. Depois, passaram a ser feitos em teatros – habitat natural para intérprete de veia dramática. Na medida em que Bethânia teve ampliada a popularidade, a partir da segunda metade da década de 1970, a cantora passou a se apresentar em grandes casas de shows.
Recentemente, transitou por arenas e estádios do Brasil ao lado de Caetano Veloso em turnê calcada na magnitude do reencontro dos irmãos no palco. E a força é a mesma no palco de um estádio ou no palco de uma casa pequena de pouco mais de 100 lugares como o clube carioca Manouche, onde Bethânia estreou o show “Claros breus” em julho de 2019.
Com o auxílio do diretor Fauzi Arap (1938 – 2013), Maria Bethânia cristalizou um molde de espetáculo conceitual em que músicas e textos (geralmente poemas) se costuram em roteiros que jamais perdem o fio da meada. O embrião da fórmula foi o show “Comigo me desavim”, estreado em 1967. Entretanto, foi a partir do antológico espetáculo “Rosa dos ventos – O show encantado”, em 1971, que a costura se alinhavou e deu o tom dos shows posteriores da artista, alguns de caráter nitidamente político na época da ditadura, caso de “A cena muda” (1974).
Dentro do (limitado) raio de visão do colunista e crítico musical do g1, os espetáculos “Nossos momentos” (1982), “Âmbar” (estreado em 1996 e perpetuado em 1997 no álbum duplo intitulado “Imitação da vida”), “Maricotinha” (2001), “Dentro do mar tem rio” (2006) e “Abraçar e agradecer” (2015) sobressaem na trajetória de Maria Bethânia nos palcos.
É na cena que espoca a aguçada inteligência da intérprete, capaz de editar longo poema de Fernando Pessoa (1888 – 1935) com timing preciso para que os versos surtam o maior efeito possível na plateia. É quando inflexões e pausas feitas no momento certo se revelam tão importantes quanto o canto em si.
Bethânia é bicho de palco. Sabe onde pisa. Por isso, domina a cena, sendo capaz de revitalizar uma música antiga, potencializando o sentido dessa composição ao reapresentá-la em medley sagaz. Basta lembrar a junção do samba “Purificar o Subaé” (Caetano Veloso, 1981) com “Miséria” (Arnaldo Antunes, Paulo Miklos e Sérgio Britto, 1989) – sucesso do grupo Titãs – no show “Brasileirinho” (2003). Tudo fez (amis) sentido.
Bethânia também sempre soube que um show jamais pode ser a mera reprodução de um disco. É preciso que o roteiro ofereça algo mais, nem que seja uma música inédita no canto da artista! E foi assim que “Gitã” (Raul Seixas, 1974) magnetizou os espectadores do show feito por Bethânia com Chico Buarque em 1975.
Foi também assim que “Vida”, canção lançada pelo mesmo Chico Buarque em 1980, reapareceu dois anos depois devidamente intensa e definitiva na intepretação de Bethânia no show “Nossos momentos” (1982). Momentos de luz – “Luz, quero luz!”, bradava ao cantar “Vida” – de voz e de sonho, como poetizou Caetano Veloso na canção feita para o referido espetáculo de 1982. Momentos intensos. Momentos do amor demais que brota do canto magnético de Maria Bethânia a cada vez que essa senhora cantora entra em cena para domar o palco.
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Fonte: G1

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