Rio Branco, Acre - sexta-feira, 06 março, 2026

MapBiomas lança primeiro mapa de agricultura de segunda safra

Foto: Canal Rural 

Foto: Canal Rural 

O MapBiomas lançou nesta quarta-feira, 10, o primeiro mapa nacional dedicado à agricultura de segunda safra — o cultivo realizado logo após a colheita da safra de verão. A nova ferramenta amplia o monitoramento do uso da terra no Brasil e traz dados inéditos sobre a dinâmica que tem sustentado o crescimento da produção agrícola sem necessidade de abrir novas áreas.

O levantamento mostra que o milho continua sendo a principal cultura da segunda safra, ocupando 14,7 milhões de hectares em 2024. Em seguida aparecem o algodão, com 2,5 milhões de hectares, e outras culturas temporárias ou espécies de cobertura, que somam 6,5 milhões de hectares. Cerca de 95% do milho de segunda safra é plantado após a colheita da soja, reforçando a força da sucessão produtiva no modelo tropical.

De acordo com o professor Eliseu Weber, coordenador do tema Agricultura no MapBiomas, a segunda safra é um dos pilares da expansão agrícola brasileira. “Ela aumenta a renda do produtor, conserva vegetação nativa e eleva o sequestro de carbono”, afirma Weber. Ele destaca ainda que o milho deixa uma palhada essencial para conservação do solo e da água. O avanço, porém, exige atenção: o uso mais intenso do solo e a tendência de estiagens mais longas podem comprometer o futuro da segunda safra, sobretudo do milho.

Os dados mostram o tamanho da participação dos estados na dinâmica da segunda safra. O Mato Grosso lidera, com 7,1 milhões de hectares de milho e 1,6 milhão de hectares de algodão. O Paraná aparece na sequência, com 5 milhões de hectares cultivados, sendo 2,2 milhões de milho. Mato Grosso do Sul e Goiás também se destacam, cada um com cerca de 2 milhões de hectares cultivados após a colheita da soja.

O mapeamento reforça ainda a expansão histórica da soja de primeira safra, que saltou de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 40,7 milhões em 2024. Mais de dois terços dessa área apresentam dois ou três ciclos produtivos ao longo do ano, o que evidencia o potencial da agricultura intensificada.

Outras culturas também chamam atenção pela evolução: a cana-de-açúcar passou de 2,2 para 10,1 milhões de hectares desde 1985; o arroz triplicou sua área mapeada; os citros quadruplicaram; e o dendê cresceu de 10 mil para 240 mil hectares, concentrado no Pará. A silvicultura, por sua vez, expandiu-se de 1,56 para 9 milhões de hectares.

Com o novo mapa, o MapBiomas amplia a capacidade de análise sobre produtividade, pressão por abertura de novas áreas e impactos ambientais — informações estratégicas para estados que buscam equilibrar avanço agrícola e conservação, como o Acre.

Compartilhar