O envelhecimento da população de Rio Branco já começa a exigir mudanças na forma como a saúde pública atende seus pacientes. Diante do aumento no número de idosos e das dificuldades enfrentadas por quem possui mobilidade reduzida ou convive com doenças crônicas, um programa que leva atendimento médico diretamente às residências está mais perto de se tornar realidade na capital acreana.
A proposta, já aprovada pela Câmara Municipal, encontra-se em tramitação na Casa Civil, por meio do SEI nº 0131.00023/2025-44, e aguarda os procedimentos finais do Executivo. O texto cria o Programa de Atenção à Saúde do Idoso em Domicílio (PASID), que pretende oferecer assistência contínua aos idosos sem que eles precisem sair de casa para receber parte dos serviços da rede pública de saúde.
A iniciativa prevê que equipes multiprofissionais realizem visitas periódicas às residências, acompanhando principalmente idosos com dificuldade de locomoção, doenças crônicas ou em situação de vulnerabilidade social. O atendimento deverá reunir médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais, além de outros profissionais sempre que houver necessidade clínica.
Além das visitas domiciliares, o programa também prevê acompanhamento por teleatendimento, fornecimento de medicamentos e insumos necessários ao tratamento, elaboração de planos individualizados de cuidado e ações voltadas à prevenção de doenças e ao envelhecimento saudável.

Autor da proposta, o vereador José Augusto Soares Aiache afirma que o município precisa se preparar para uma realidade que já faz parte da rotina das famílias acreanas.
“Rio Branco está envelhecendo e o poder público precisa acompanhar essa transformação. Muitos idosos deixam de fazer tratamentos ou chegam aos hospitais com o quadro agravado simplesmente porque não conseguem se deslocar. Nossa proposta leva o atendimento até essas pessoas, garantindo mais dignidade, prevenção e qualidade de vida.”
Segundo o parlamentar, investir no atendimento domiciliar representa não apenas um avanço social, mas também uma estratégia para tornar o sistema público mais eficiente.
“Quando conseguimos acompanhar o idoso dentro de casa, prevenimos complicações, fortalecemos a participação da família no tratamento e reduzimos internações que poderiam ser evitadas. É um cuidado mais humano e, ao mesmo tempo, uma política pública inteligente.”
Os números ajudam a explicar a necessidade da iniciativa. Dados citados no projeto mostram que a população idosa do Acre passou de cerca de 50 mil pessoas em 2012 para aproximadamente 88 mil em 2022, um crescimento que acompanha a tendência nacional de envelhecimento da população. Rio Branco figura entre as capitais brasileiras com maior índice de envelhecimento, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas a essa nova realidade.
Após sancionado pelo Executivo, o PASID deverá integrar a política municipal de atenção à pessoa idosa, ampliando a assistência domiciliar e aproximando os serviços de saúde de quem mais enfrenta dificuldades para acessar a rede pública.


