Foto: Reprodução
As lhamas apreendidas durante uma fiscalização na BR-364, no Acre, continuam sob responsabilidade da ONG Associação Patinha Carente enquanto órgãos ambientais, autoridades sanitárias e a Justiça analisam qual será o destino definitivo dos animais. O caso ganhou repercussão após a descoberta do transporte irregular do grupo em um caminhão boiadeiro que seguia de Brasiléia, na fronteira do Acre, para o estado de Rondônia.
Durante a abordagem, equipes de fiscalização encontraram os animais em condições consideradas preocupantes. Parte das lhamas apresentava sinais de desgaste físico e três delas morreram ao longo do trajeto. A situação levou à abertura de investigações para apurar possíveis crimes ambientais, irregularidades sanitárias e indícios de maus-tratos.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um inquérito civil para acompanhar o caso e verificar as circunstâncias da entrada e do transporte dos animais no estado. A apuração também busca identificar responsabilidades relacionadas à documentação sanitária e às condições de manejo.
Enquanto as autoridades discutem os próximos passos, a ONG responsável pela guarda provisória informou que os animais estão recebendo alimentação, hidratação e acompanhamento veterinário constante.
A presidente da Associação Patinha Carente, Vanessa Facundes, explicou que as lhamas passaram por avaliações clínicas para garantir tanto a saúde dos animais quanto a segurança das equipes envolvidas no manejo.
Segundo ela, o trabalho atual é manter os cuidados básicos até que haja uma definição oficial sobre o destino do grupo. “Estamos garantindo água, alimentação e assistência veterinária para preservar a saúde dos animais enquanto aguardamos a decisão judicial”, afirmou.
A ONG também busca apoio técnico junto ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). De acordo com Vanessa, existe preocupação das autoridades sanitárias quanto aos riscos que os animais poderiam representar ao rebanho local e à saúde animal no estado.
Inicialmente, uma das possibilidades levantadas teria sido o abate das lhamas, hipótese que gerou reação de protetores e ativistas. A entidade defende que sejam adotados protocolos sanitários adequados antes de qualquer medida definitiva e pede que os animais sejam encaminhados para um local apropriado e seguro.
As lhamas são animais originários da Cordilheira dos Andes e não fazem parte da fauna brasileira. A criação da espécie no país depende de controle sanitário rigoroso e autorização dos órgãos competentes.
O caso segue sendo acompanhado pelo Ministério Público, autoridades ambientais e órgãos de fiscalização agropecuária, que devem decidir nos próximos dias qual será o destino definitivo dos animais apreendidos no Acre.
