Rio Branco, Acre - quinta-feira, 20 agosto, 2026

Mais de 141 mil famílias vivem em moradias inadequadas no Acre; custo para enfrentar problema chega a R$ 4,8 bilhões

moradia

Levantamento aponta problemas que incluem falta de banheiro, esgoto e abastecimento de água, além de precariedade em pisos, paredes e instalações elétricas

O Acre possui 141.117 famílias vivendo em domicílios considerados inadequados, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados revelam uma dimensão da questão habitacional que vai além da falta de uma casa: milhares de famílias possuem onde morar, mas convivem com problemas estruturais e ausência de serviços básicos.

O levantamento considera informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e reúne diferentes tipos de inadequação encontrados nos domicílios.

Entre os problemas identificados estão paredes construídas com materiais considerados inadequados, ausência de banheiro, piso inadequado, falta de esgotamento sanitário, ausência de abastecimento de água pela rede pública e precariedade da rede elétrica.

Para superar as inadequações habitacionais identificadas no Acre, o estudo estima um investimento de aproximadamente R$ 4,8 bilhões.

O valor dá uma dimensão do desafio para o poder público na formulação de políticas habitacionais que não estejam concentradas apenas na construção de novas unidades, mas também na melhoria das condições das casas já ocupadas.

Problema atinge milhões de famílias no país

A situação identificada no Acre faz parte de um problema nacional.

Em todo o Brasil, o levantamento contabilizou mais de 16,3 milhões de famílias vivendo em domicílios com pelo menos uma inadequação habitacional.

O custo estimado para superar essas condições em todo o país chega a aproximadamente R$ 273,6 bilhões.

Dentro desse cenário, o Acre representa 0,86% das famílias brasileiras identificadas pelo estudo em condições habitacionais inadequadas e 1,76% do custo nacional estimado para enfrentar o problema.

Moradia vai além de ter um teto

Os números ajudam a diferenciar dois problemas que muitas vezes aparecem juntos no debate habitacional: a necessidade de novas moradias e as condições das residências que já existem.

Uma família pode possuir uma casa e, ainda assim, viver sem banheiro adequado, acesso à rede de esgoto, fornecimento regular de água ou instalações elétricas em condições satisfatórias.

O levantamento, portanto, amplia o retrato da demanda habitacional e mostra que melhorar as condições de moradia de milhares de famílias acreanas exigiria investimentos em infraestrutura, saneamento e melhorias estruturais nos próprios domicílios.

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