Rio Branco, Acre - sábado, 23 maio, 2026

Mais de 12 mil acreanos aguardam entrada no Bolsa Família enquanto fila nacional se aproxima de 2 milhões de famílias

Foto: Internet 

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que o Acre possui atualmente 12.454 pessoas aguardando inclusão no Programa Bolsa Família em 2026. Os dados representam cerca de 6.934 famílias que já estão cadastradas no Cadastro Único, atendem aos critérios exigidos pelo governo federal, mas ainda não foram incorporadas à folha de pagamento do benefício social.

Apesar de apresentar um dos menores números absolutos de demanda reprimida do país, o estado acreano segue enfrentando dificuldades para garantir o acesso imediato de milhares de famílias em situação de vulnerabilidade econômica ao principal programa de transferência de renda do governo federal.

Segundo o estudo técnico da CNM, apenas Roraima e Rondônia possuem filas menores atualmente entre os estados brasileiros.

O levantamento foi elaborado a partir de microdados do Cadastro Único e revela um cenário preocupante em todo o país. Nacionalmente, a fila do Bolsa Família já alcança aproximadamente 1,99 milhão de famílias, totalizando mais de 3,1 milhões de brasileiros aguardando liberação do benefício.

Estados mais populosos concentram maiores filas

O estudo mostra que os maiores gargalos estão concentrados nos estados com maior densidade populacional. São Paulo aparece na liderança nacional, com mais de 612 mil pessoas aguardando inclusão no programa. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com cerca de 571 mil pessoas na fila, Bahia, com 189 mil, e Minas Gerais, com aproximadamente 188 mil beneficiários em espera.

Juntos, esses estados concentram quase metade da demanda reprimida registrada atualmente no país.

Para a CNM, o crescimento da fila evidencia a pressão social enfrentada pelos municípios, especialmente diante do aumento das famílias em situação de vulnerabilidade econômica e da limitação orçamentária do programa federal.

Orçamento previsto não cobre toda a demanda

A entidade municipalista alerta ainda que o orçamento previsto para o Bolsa Família em 2026 não seria suficiente para absorver toda a fila existente atualmente.

Segundo os cálculos da CNM, o governo federal reservou aproximadamente R$ 157,5 bilhões para manutenção do programa no próximo ano. No entanto, para zerar a demanda reprimida e garantir a inclusão de todas as famílias aptas ao benefício, seria necessário um acréscimo estimado em R$ 16,48 bilhões.

Com isso, o orçamento total precisaria ultrapassar a marca de R$ 174 bilhões.

Municípios também reclamam de redução no apoio financeiro

Outro ponto destacado no levantamento é a redução dos recursos federais destinados à gestão municipal do Cadastro Único e do próprio Bolsa Família.

De acordo com a CNM, os municípios vêm enfrentando aumento das responsabilidades administrativas sem a recomposição proporcional dos repasses financeiros destinados à manutenção dos serviços.

O valor de apoio federal por cadastro, que anteriormente era de R$ 4, caiu para R$ 3,25 em 2024. Em 2025, houve pequeno reajuste para R$ 3,35, índice considerado insuficiente pelas prefeituras diante da inflação acumulada e da ampliação das demandas sociais.

A entidade afirma que os municípios continuam sendo a principal porta de entrada da população para os programas sociais e alertou para a necessidade de reforço financeiro federal para garantir o funcionamento adequado da rede de assistência social em todo o país.

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