Rio Branco, Acre - quarta-feira, 22 abril, 2026

Luiz Gonzaga cobra volta de voos e avanço de rodovia entre Acre e Peru

Foto: Sérgio Vale

A retomada da integração entre o Acre e o Peru voltou ao centro do debate político após uma missão oficial em Pucallpa, no estado peruano de Ucayali. Durante discurso na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Luiz Gonzaga relatou acordos firmados entre os governos dos dois países nas áreas de educação, saúde e segurança, mas destacou que o avanço depende, sobretudo, de infraestrutura e mobilidade entre as regiões de fronteira.

Segundo ele, a ausência de voos diretos e a falta de continuidade da BR-364 até a fronteira têm travado o desenvolvimento do Vale do Juruá. “É um absurdo o que se vê hoje. Nós já tivemos esses voos por muito tempo. Cruzeiro do Sul tinha dois voos por semana para Pucallpa. Hoje não existe mais. E não existe integração sem comunicação”, afirmou. O parlamentar citou ainda o interesse de empresas aéreas em retomar rotas internacionais, incluindo ligações entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, além de Rio Branco e Porto Maldonado.

Durante a fala, Gonzaga reforçou que a proximidade geográfica entre os territórios não se reflete na prática. “Nós estamos a cerca de 220 quilômetros de Pucallpa, sendo apenas 100 quilômetros do lado brasileiro. É muito perto, mas estamos de costas um para o outro”, disse. Ele também lembrou que o traçado da BR-364 até a fronteira foi planejado pelo Exército ainda nos anos 1950, mas nunca saiu do papel além de Cruzeiro do Sul.

O deputado argumenta que a integração pode impulsionar comércio, turismo e relações culturais entre os povos. “Na integração existe o comércio, existe o turismo, existe o convívio. É isso que faz uma região crescer”, declarou. Ele também destacou que muitos acreanos hoje precisam percorrer longas distâncias por estrada até cidades peruanas para acessar voos internacionais, o que encarece e dificulta o deslocamento.

Por fim, Gonzaga afirmou que a pauta foi bem recebida por representantes dos ministérios das Relações Exteriores do Brasil e do Peru, além de integrantes dos governos locais. A expectativa, segundo ele, é que os acordos avancem e saiam do campo diplomático para a prática, especialmente na retomada dos voos e no debate sobre a ligação rodoviária internacional.

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