De acordo com o prefeito Sérgio Lopes, o início imediato das obras está previsto para o próximo mês, aproveitando o verão amazônico para lançar as fundações no leito do rio.
O Alto Acre está prestes a testemunhar uma transformação histórica em sua mobilidade urbana. Após anos de espera, idas e vindas políticas, entraves técnicos e descrença pública, a nova ponte de concreto que ligará Epitaciolândia a Brasiléia começa, finalmente, a sair do papel. O prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, recebeu pessoalmente das mãos do presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC), André Hassem, a licença ambiental que autoriza o início das obras.
Segundo o prefeito, em conversa com a equipe de reportagem do CORREIO ONLINE, os trabalhos devem começar já no mês de julho, aproveitando o período de estiagem para a implantação das fundações no leito do rio. “É um passo muito importante. Já estamos com diálogo aberto com a empresa responsável e nossa meta é iniciar as fundações ainda no verão amazônico”, afirmou.
A nova ponte será construída em alvenaria, com dez metros de largura, duas faixas de tráfego simultâneo e passarelas para pedestres. A travessia atual entre os dois municípios se dá por uma ponte metálica estreita, de mão única, construída há mais de quatro décadas, que não atende mais à demanda da região — especialmente nos horários de pico, quando ocorrem congestionamentos frequentes.
“Essa ponte vai mudar o ritmo da fronteira. Mais agilidade para ambulâncias, mais segurança para quem trabalha e mais integração para nossas cidades”, afirmou o prefeito Sérgio Lopes.
Bastidores políticos e articulação estratégica
A concretização da obra não foi simples. Lopes relembra que o processo teve início ainda em seu primeiro mandato, com apoio de lideranças políticas como o então vice-governador Wherles Rocha e a ex-deputada Mara Rocha. Um dos principais obstáculos foi um parecer técnico da Marinha do Brasil que travou a liberação do projeto no DNIT.
Com persistência, Sérgio buscou nova vistoria e conquistou o aval necessário para tirar a obra da gaveta. “Houve quem desacreditasse, mas enfrentamos cada etapa com seriedade. Hoje, estamos aqui, com a licença em mãos e prontos para começar”, declarou.
A ponte também recebeu suporte institucional do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que facilitou a descentralização da responsabilidade da BR-317 para execução local. A liberação de trechos federais foi essencial para viabilizar o projeto.
Impacto para quase 100 mil moradores da tríplice fronteira
A ligação direta entre Epitaciolândia e Brasiléia deve beneficiar uma população estimada em quase 100 mil habitantes, considerando ainda os reflexos para Cobija, na Bolívia. O fluxo de estudantes, trabalhadores e consumidores entre as cidades é intenso e deve ganhar novo impulso com a obra.
Com a nova ponte, o escoamento da produção agrícola da região e o transporte de mercadorias tendem a se tornar mais ágeis e econômicos. “É uma obra que fortalece nossa integração, valoriza os produtores e dá mais competitividade à nossa economia regional”, disse o gestor.
A expectativa é que a construção da ponte movimente também a economia local, com a geração de empregos diretos e indiretos. Profissionais da construção civil, operadores de máquinas, caminhoneiros, fornecedores e comerciantes devem sentir os efeitos positivos do início das obras. Pequenos empreendedores do entorno já se preparam para atender a nova demanda.
Além disso, a nova travessia deverá impactar positivamente o setor de saúde, segurança pública e transporte escolar, com mais fluidez e menos riscos para quem depende de acesso rápido entre os municípios.
“Essa ponte não é só concreto. É a ligação de um povo que vive entre cidades, compartilha mercados, escolas, hospitais, sonhos. Uma ponte entre o presente e o futuro da nossa região”, resumiu Sérgio Lopes.

