Foto: Sérgio Vale
O plenário da Câmara de Rio Branco foi tomado por divergências em torno do novo subsídio ao transporte coletivo. A primeira intervenção partiu de Fábio Araújo (MDB), que apresentou uma emenda para corrigir o valor proposto pelo Executivo, reduzindo o acréscimo de R$ 1,00 para R$ 0,50 por passageiro. Ele alegou inconsistências nos cálculos e trouxe à tona uma denúncia de que a planilha usada pela prefeitura teria inflado o número de motoristas por ônibus. Para o vereador, a discrepância é suficiente para suspender a votação até que o processo seja esclarecido.
Na sequência, André Kamai (PT) reforçou a crítica e destacou que a Câmara estaria assumindo um papel que não lhe cabe: decidir sobre tarifa e subsídio sem que o Conselho Municipal de Transportes seja acionado, como prevê a lei. O argumento é que o rito legal foi substituído por um atalho político para garantir o repasse, sem a devida análise técnica e sem a participação da sociedade.
Enquanto a oposição apontava riscos de fraude e ilegalidade, parlamentares da base governista lembravam que a manutenção da tarifa em R$ 3,50 depende do aporte extra. Sem isso, dizem, há risco de paralisação do sistema e atraso no pagamento de trabalhadores. A linha defendida pelo Executivo é que o subsídio é a única forma de manter o serviço em funcionamento até a licitação do transporte, prevista, mas ainda não concretizada.
Em meio ao embate, Felipe Tchê (PP) apresentou um pacote de emendas para atrelar o dinheiro público a resultados concretos. As propostas vão desde a exigência de aumento da frota nos horários de pico até a climatização progressiva dos ônibus até 2030, além de reforço em linhas que atendem universidades e hospitais, adaptação integral da frota para pessoas com deficiência e prova mensal de pagamento de salários e encargos trabalhistas. A ideia é condicionar o repasse à melhoria do serviço prestado.
A sessão também resgatou um tema recorrente: a demora na licitação prometida desde 2021. Vereadores lembraram que a cidade continua dependente de uma empresa escolhida sem concorrência pública e que a cada novo subsídio aumenta a desconfiança da população. No fim, entre acusações de planilhas mal explicadas e compromissos não cumpridos, ficou claro que a disputa não se resume ao valor do subsídio, mas ao modelo de transporte que Rio Branco terá nos próximos anos.
No desfecho da sessão, apesar das denúncias de inconsistência nas planilhas, das críticas à legalidade do processo e das emendas apresentadas em plenário, a maioria dos vereadores votou a favor do projeto. A aprovação garantiu o aumento do subsídio ao transporte coletivo, mantendo congelada a tarifa paga pelo usuário, mas deixou em aberto as dúvidas sobre transparência, fiscalização e os reais compromissos de melhoria no sistema.
