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A crítica mais dura na sessão de quarta-feira, 10, na Câmara Municipal de Rio Branco, veio do vereador André Kamai (PT), que voltou a apontar a crise no abastecimento de água como um dos maiores sinais de desorganização da gestão municipal. Em discurso firme, ele disse que a prefeitura tem destinado milhões para ações de entretenimento, enquanto famílias seguem enfrentando torneiras secas em diferentes regiões da capital.
Kamai citou o investimento em estruturas natalinas, shows de drones e túneis tecnológicos, contrastando esses custos com a realidade das comunidades que convivem com ciclos de falta d’água. “Estamos gastando milhões com entretenimento. E a pergunta é: quantos drones resolvem a falta de água em Rio Branco? As pessoas estão precisando de pisca-pisca ou de água em casa?”, afirmou.
O vereador também voltou a denunciar irregularidades na contratação da empresa fornecedora de produtos químicos para o tratamento da água. Segundo ele, a mudança repentina de fornecedores e a atuação de “sócios ocultos” reforçam a necessidade de investigação. “É ilegal a forma como essa empresa entrega o produto. Não podemos tratar isso como normal”, disse.
Kamai relacionou o problema à falta de investimento contínuo no sistema de abastecimento. Ele mencionou que, mesmo com recursos federais destinados à recuperação da rede, a distribuição teria piorado. “O governo federal enviou R$ 17 milhões para recuperar a ETA. Mesmo assim, a distribuição piorou. Falta gestão, sobra improviso”, afirmou.
Ao abordar o orçamento para 2026, o parlamentar apontou desequilíbrios entre áreas essenciais e gastos festivos. Para ilustrar, comparou os valores destinados à Secretaria de Infraestrutura, que teria arcado com eventos culturais, ao orçamento previsto para a própria Secretaria de Cultura. “Todo orçamento da cultura para o ano que vem é R$ 11 milhões. Por que é a Infraestrutura que paga o Natal e o show de drones?”, questionou.
Kamai também afirmou que a prefeitura abandonou a política de modernização do sistema de água e alertou que as consequências já são sentidas. Segundo ele, a capital entra em 2026 com risco de agravamento dos problemas de abastecimento, manutenção urbana e financiamento de políticas públicas. “Não está tudo bem no orçamento. O que vemos é sinal de piora”, declarou.
O vereador encerrou dizendo que a gestão municipal deverá responder judicialmente por decisões consideradas irregulares. Ele ressaltou que ações relacionadas a direitos humanos e execução de políticas públicas começam a avançar na justiça. “Se o prefeito acha que vai abandonar Rio Branco sem responder pelo que fez, está enganado”, disse.
