Paramount faz proposta para comprar Warner
Eric Gaillard/Reuters e Reprodução
A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, em um negócio avaliado em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões).
A decisão foi tomada por uma juíza federal de Oakland, na Califórnia, que determinou a suspensão temporária da operação até que o caso seja analisado.
A medida atende a uma ação movida por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia, que alega que a fusão pode reduzir a concorrência e prejudicar os consumidores. As informações são da Reuters.
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Os estados argumentam que a união das duas empresas criaria um grupo de mídia tão grande que teria mais poder para aumentar os preços de filmes e programas de TV, além de enfraquecer a competição no setor.
Segundo a ação, se a compra for concluída antes da decisão final da Justiça, a Paramount poderá começar a demitir funcionários e compartilhar informações estratégicas com a Warner Bros. Discovery.
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Caso a fusão seja posteriormente considerada ilegal, essas mudanças seriam difíceis de reverter.
O processo judicial pode atrasar os planos da Paramount de ampliar sua atuação no mercado de entretenimento e competir de forma mais direta com gigantes do streaming, como Netflix e Disney.
A Paramount, por sua vez, afirma que a ação dos estados interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos EUA.
A empresa também diz que um atraso na conclusão do negócio prejudicaria trabalhadores do setor de entretenimento, que já enfrentam dificuldades nos últimos anos, segundo a Reuters.
Fusão enfrenta obstáculos regulatórios
Desde que foi anunciada, em fevereiro, a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount enfrenta uma série de desafios regulatórios e judiciais.
Embora o Departamento de Justiça dos EUA tenha aprovado a operação, autoridades de outros países passaram a analisar os possíveis impactos do negócio sobre a concorrência.
A Comissão Europeia adiou sua decisão para avaliar as concessões propostas pela Paramount, enquanto o Reino Unido afirmou que pode intervir na operação por preocupações relacionadas à concorrência, ao streaming e ao setor de mídia.
Nos EUA, procuradores-gerais de estados como Califórnia, Nova York e Oregon iniciaram uma ofensiva para tentar barrar a fusão. Eles alegam que a união das empresas pode reduzir a concorrência nos mercados de cinema e TV por assinatura, concentrar poder no setor e resultar em perda de empregos.
Além da resistência das autoridades, o acordo também enfrenta críticas de atores, roteiristas, donos de cinemas e outros profissionais da indústria do entretenimento, que temem cortes de postos de trabalho e uma redução no número de filmes produzidos e distribuídos.
A decisão desta segunda-feira (20), que suspende temporariamente a conclusão da compra, representa o revés mais recente para a operação bilionária.
Entenda a fusão
A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount é considerada uma das maiores transações da história da indústria do entretenimento.
Se concluída, a operação criará um grupo com cerca de 200 milhões de assinantes de streaming e um catálogo que reúne marcas como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon.
O impacto do negócio vai além do valor bilionário. Enquanto a Warner reúne algumas das marcas mais valiosas do setor, a Paramount busca ganhar escala para competir com gigantes como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming.
Diferentemente da proposta apresentada pela Netflix durante a disputa pela Warner, a oferta da Paramount inclui todo o grupo Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, a HBO e outras redes de TV por assinatura.
Se a operação for aprovada, a família Ellison — que controla a Paramount — também passará a comandar algumas das principais marcas do jornalismo americano, como a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN.
Veja os números da junção entre Warner e Paramount
Arte/g1
