Foto: Sérgio Vale
Onze das 14 escolas estaduais ainda não iniciaram o ano letivo no município do Jordão. O motivo? Falta de pagamento aos prestadores de transporte escolar, o que impede até o abastecimento dos veículos. A denúncia foi feita na terça-feira, 15, pelo deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), em discurso contundente na tribuna da Assembleia Legislativa.
“Perder um mês de aula é algo praticamente irrecuperável. Ainda mais num calendário escolar diferenciado, como é o caso dos municípios isolados, que seguem o calendário rural. Essa perda compromete todo o ano letivo”, alertou o parlamentar.
Segundo Magalhães, existem dois contratos vigentes para transporte escolar em Jordão: um está sendo honrado e atende três escolas, enquanto o outro, que deveria cobrir as demais onze, está paralisado por falta de repasses da Secretaria Estadual de Educação (SEE). O impasse já dura desde o início do ano letivo, sem previsão de retorno às aulas até o final de abril.
Para o deputado, a negligência tem endereço. “Se esse problema estivesse acontecendo em um grande centro, a pressão já teria resolvido. Mas como é no Jordão, parece que é menos importante. Isso não pode continuar assim.”
O peso da desigualdade
Durante o pronunciamento, Edvaldo fez um convite à reflexão, provocando seus pares com uma comparação direta. “Imaginem se o Colégio Acreano, o CERB ou a maior escola do Tucumã não tivessem iniciado as aulas por semanas, por falta de decisão da Secretaria de Educação. O que aconteceria? A imprensa estaria noticiando, as galerias estariam lotadas de pais, e os deputados seriam cobrados nas redes sociais.”
A denúncia partiu de relatos de alunos, professores e até membros da própria gestão local, que, segundo o deputado, têm receio de se manifestar publicamente.
O parlamentar cobrou providências imediatas da Secretaria de Educação para regularizar os pagamentos, garantir o transporte e assegurar, no mínimo, o direito de estudar. “Educação não é favor, é direito. E o governo precisa lembrar que o Acre vai além do perímetro urbano da capital”, finalizou.
