Irã ataca Israel com mísseis e drones em retaliação a bombardeios contra seu programa nuclear

Foto: Jalaa Marey/AFP

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A tensão no Oriente Médio atingiu um novo ápice na tarde de sexta-feira , 13, quando o Irã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel em uma resposta direta aos ataques israelenses realizados horas antes contra instalações militares e nucleares iranianas. O confronto marca a escalada mais grave entre os dois países em décadas e acende alertas internacionais para o risco de um conflito de larga escala.

A ofensiva iraniana teve início por volta das 19h (horário local), quando sirenes de alerta soaram em diversas cidades israelenses, incluindo Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. O ataque, descrito pela Guarda Revolucionária Iraniana como parte da operação “Verdadeira Promessa III”, envolveu o lançamento de mísseis balísticos e o uso de drones do modelo Shahed, com o objetivo de atingir alvos estratégicos dentro do território israelense. Ao menos cinco pessoas ficaram feridas em Tel Aviv, e há relatos de danos materiais significativos, embora o sistema de defesa aérea “Domo de Ferro” tenha interceptado a maioria dos projéteis.

O ataque ocorre em retaliação à operação “Leão Crescente”, deflagrada por Israel na madrugada desta sexta-feira, que mobilizou mais de 200 aeronaves e lançou mais de 300 munições contra cerca de 100 alvos em solo iraniano. Entre os locais atingidos, estavam centros de pesquisa nuclear nas cidades de Natanz, Fordow e Isfahan, além de bases militares e residências de oficiais da Guarda Revolucionária. As autoridades iranianas confirmaram a morte de figuras-chave do aparato militar e científico do país, incluindo o general Hossein Salami e o chefe do Estado-Maior Mohammad Bagheri.

Em pronunciamento oficial, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, classificou o ataque israelense como uma “declaração de guerra” e prometeu resposta “contundente e contínua”. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação da madrugada foi “preventiva e necessária” para conter o avanço do programa nuclear iraniano, que Tel Aviv considera uma ameaça existencial.

A comunidade internacional reagiu com apreensão à escalada. A Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, enquanto Estados Unidos, União Europeia e países árabes pedem contenção e diplomacia. “Estamos à beira de um conflito regional que pode sair do controle. A prioridade agora é evitar mais mortes e preservar canais de diálogo”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em entrevista a imprensa internacional.

Apesar da intensidade dos ataques, analistas acreditam que o Irã tentou calibrar sua resposta para não cruzar o limite de um confronto total, mirando mais em demonstração de força do que em aniquilação de alvos civis. Ainda assim, o cenário permanece volátil, e novas ações militares de ambos os lados não estão descartadas.

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