A inflação voltou a subir no Brasil em março, puxada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,56%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado em doze meses chega agora a 5,48%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%.
Embora represente uma desaceleração em relação a fevereiro, quando o índice foi de 1,31%, o impacto no custo de vida permanece alto — especialmente para famílias de baixa renda e em regiões mais afetadas pelo aumento dos alimentos, como o Acre.
Alimentação segue como vilã da inflação
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta do mês, com avanço de 1,17%. Somente esse grupo respondeu por cerca de 45% do índice de março. Produtos essenciais, como tomate (22,55%), ovo de galinha (13,13%) e café moído (8,14%), tiveram aumentos expressivos.
No Acre, onde boa parte dos produtos alimentares precisa ser trazida de outros estados, o cenário é ainda mais sensível. A escassez de chuvas em regiões produtoras do Sudeste e o calor intenso afetaram o abastecimento e os preços, pressionando o custo dos alimentos no estado. A falta de produção local em larga escala torna o estado mais vulnerável às oscilações do mercado nacional.
Além disso, o período da Quaresma, quando tradicionalmente há maior consumo de itens como ovos e peixes, contribuiu para o aumento da demanda e dos preços. O alto custo do frete e a logística limitada no Acre são fatores que ampliam os efeitos da inflação nacional sobre o mercado local.
Outros grupos também subiram
Além dos alimentos, todos os nove grupos monitorados pelo IBGE tiveram alta. O grupo Despesas pessoais avançou 0,70%, puxado por serviços de lazer como cinema, teatro e concertos, que registraram aumento de 7,76%, reflexo do fim das promoções do mês anterior.
Em Transportes (0,46%), a alta foi influenciada pelo aumento das passagens aéreas (6,91%), um item que afeta diretamente a população acreana, que depende do transporte aéreo para se deslocar para outras regiões do país. Os combustíveis também continuaram subindo, embora em ritmo menor do que em fevereiro.
Combustíveis e transporte impactam regiões isoladas
No Acre, onde muitos municípios têm difícil acesso por via terrestre, o preço dos combustíveis é um fator central para o custo de vida. A variação no litro da gasolina e do óleo diesel influencia diretamente o transporte de mercadorias e pessoas, encarecendo tudo, do frete ao alimento na feira.
INPC também sobe e pressiona quem ganha menos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, teve alta de 0,51% em março e acumula avanço de 5,20% nos últimos 12 meses. Esse índice é referência para o reajuste do salário mínimo e impacta diretamente aposentados, pensionistas e trabalhadores com menor poder aquisitivo.
Inflação concentrada, mas persistente
Segundo o IBGE, o índice de difusão da inflação — que mede quantos itens subiram de preço — ficou em 61%, o mesmo nível de fevereiro. Isso significa que, embora a inflação esteja mais concentrada em alguns grupos, como alimentação e transporte, os efeitos continuam sendo sentidos de forma ampla pela população.
Com o cenário climático adverso, dificuldades logísticas e aumento do custo de produtos essenciais, o Acre segue entre os estados mais impactados pelo custo da inflação, exigindo atenção especial das autoridades e medidas que incentivem a produção e a comercialização regional.
