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Lideranças indígenas da fronteira entre o Acre e o departamento de Ucayali, no Peru, se reúnem entre os dias 24 e 26 de março, em Cruzeiro do Sul, para discutir estratégias de enfrentamento à crescente crise socioambiental na região. O encontro reúne cerca de 100 representantes de mais de 14 povos, incluindo grupos isolados e de recente contato.
As lideranças denunciam o avanço do narcotráfico, do crime organizado, do desmatamento e das invasões territoriais, que colocam em risco a sobrevivência física e cultural das comunidades. Segundo Francisco Piyãko, os direitos garantidos na legislação não estão sendo efetivamente cumpridos. “É o nosso direito, mas ele nos é negado diariamente”, afirmou.
O seminário integra a programação da Comissão Transfronteiriça Juruá/Yurúa/Alto Tamaya e busca fortalecer alianças entre povos indígenas, pesquisadores e instituições públicas dos dois países. Entre os principais pontos debatidos estão a proteção de nascentes, corredores ecológicos e territórios tradicionais.
Também estão em pauta os impactos de projetos de infraestrutura e o avanço de atividades ilegais, como estradas clandestinas, mineração e grilagem, especialmente no lado peruano. Comunidades indígenas relatam aumento de invasões e pressão sobre áreas protegidas.
Ao final do encontro, será elaborada a “Carta de Cruzeiro do Sul”, documento com propostas e reivindicações para ampliar a proteção da região. Para as lideranças, a articulação internacional é essencial diante de ameaças que ultrapassam fronteiras e colocam em risco uma das áreas mais preservadas da Amazônia.
