Rio Branco, Acre - sábado, 31 outubro, 2026

Hospital do Rim celebra 10 anos, relembra início com cinco máquinas e anuncia expansão para Sena Madureira

WhatsApp Image 2026-10-31 at 13.55.28 (11)

Durante jantar em homenagem aos médicos, Jarinne e Alessandro Nasserala falaram ao Correio OnLine sobre os desafios da primeira década, a futura UTI e os planos para ampliar a formação de especialistas.

O projeto era abrir uma clínica com 30 máquinas de hemodiálise. O dinheiro permitiu comprar apenas cinco. Os primeiros pacientes eram três. Dez anos depois, essa lembrança voltou à conversa durante uma noite em que os corredores, as máscaras e os encontros apressados da rotina hospitalar deram lugar à confraternização.

O Hospital do Rim reuniu médicos, profissionais e parceiros nesta sexta-feira, 30 de outubro, no AFA Jardim, em Rio Branco, para celebrar uma década de história e homenagear o Dia do Médico. A equipe do Correio OnLine acompanhou o jantar e conversou com os fundadores, a médica nefrologista Jarinne Nasserala e Alessandro Mendonça Nasserala.

Entre recordações e agradecimentos, o casal também falou do que vem pela frente. Em primeira mão ao portal, Alessandro revelou que as obras da unidade de Sena Madureira começaram na semana anterior. Jarinne destacou a perspectiva de implantação de uma UTI e o desejo de ampliar a formação de especialistas no estado.

Do consultório ao hospital

Cofundadora e diretora técnica da instituição, Jarinne fez questão de dividir o reconhecimento com quem participou da construção do hospital. Ao recordar os primeiros anos, falou de trabalho, dificuldades e da confiança de pessoas que ajudaram o projeto a crescer. “Muita gente acreditou no nosso sonho e hoje a gente está aqui para comemorar”, afirmou.

A história começou com atendimento em consultório, passou pela criação da clínica e ganhou estrutura hospitalar à medida que surgiam novas necessidades. Em entrevista anterior ao podcast Correio em Prosa, o casal contou que a proposta inicial de oferecer diálise e procedimentos de acesso vascular foi se ampliando com a demanda por cirurgias, internações e serviços de apoio.

O propósito era oferecer aos pacientes renais um atendimento de qualidade no próprio estado. Com o tempo, a estrutura incorporou centro cirúrgico, apartamentos, laboratório e outras especialidades, mantendo a nefrologia como eixo da assistência.

Durante o jantar, Jarinne destacou o desafio de empreender em uma área em que cada decisão envolve a saúde de alguém. Para ela, a trajetória também representa uma contribuição ao desenvolvimento da assistência hospitalar privada no Acre. “Graças a Deus, nesses dez anos, a gente vê muita vitória, muita conquista”, disse a médica, ao afirmar que ainda há espaço para avançar.

Cinco máquinas, três pacientes

Quando perguntado sobre a história que mais o marcou nessa primeira década, Alessandro voltou ao momento de abertura da clínica de hemodiálise.

Jarinne imaginava uma estrutura maior, mas o orçamento obrigou o casal a reduzir o tamanho inicial do projeto. A clínica começou com cinco máquinas e três pacientes, números que ele compara com o atendimento atual para explicar o significado dessa caminhada.

Segundo Alessandro, hoje são 240 pacientes em Rio Branco e outros 90 em Brasileia, além de mais de cem máquinas de hemodiálise. “Olhar para trás” e perceber essa diferença foi o que ele escolheu destacar na comemoração. “Isso quer dizer que a gente está fazendo certo”, afirmou o cofundador do hospital, diretor executivo e CEO do Grupo Nasserala.

Tratamento mais perto da família

A expansão para Sena Madureira tem uma ligação pessoal com os fundadores: os dois são naturais do município. Mas o objetivo apresentado por Alessandro diz respeito, sobretudo, à rotina dos pacientes que precisam sair da cidade para receber atendimento na capital. “A gente quer acabar com isso”, afirmou, referindo-se ao deslocamento para fazer hemodiálise em Rio Branco. A proposta é permitir que o tratamento seja realizado no próprio município, perto de casa e da família.

O anúncio do início das obras dá um novo passo a uma intenção que o casal já havia manifestado em entrevista ao Correio em Prosa. Na conversa anterior, Alessandro explicou que levar o serviço à cidade natal era uma forma de contribuir com a população de onde vieram.

Agora, ele confirmou que a construção começou. Não foi informada uma data de inauguração. Outra ampliação mencionada durante o jantar foi a implantação de uma Unidade de Terapia Intensiva. Jarinne apresentou a UTI como um dos próximos avanços pretendidos pelo hospital, também sem anunciar prazo para funcionamento.

 Formação de especialistas

A expansão pretendida pelo casal também passa pelo ensino. O Hospital do Rim mantém uma Residência Médica em Nefrologia, sob responsabilidade de Jarinne. Em março deste ano, Naiara Machado tornou-se a primeira nefrologista formada pelo programa.

Durante a entrevista no jantar, Jarinne informou que a instituição deve abrir em breve um novo edital para a próxima turma e falou sobre a possibilidade de oferecer formação em outras especialidades. “O mercado de trabalho tem vários médicos, mas especialistas a gente é bem escasso aqui no Acre”, afirmou.

A médica citou cirurgia, clínica médica e cardiologia entre as áreas que gostaria de contemplar, considerando as necessidades de atendimento no estado. A abertura de novas residências, porém, ainda é uma perspectiva, sem prazo anunciado. “Que a gente possa formar novos especialistas, esse também é um sonho”, disse Jarinne.

Alessandro também revelou, em primeira mão ao Correio OnLine, que o grupo prepara uma academia de capacitação para ampliar as atividades de ensino, incluindo ações voltadas aos médicos e dando continuidade ao trabalho já desenvolvido com a equipe de enfermagem.

A inspiração, segundo ele, veio de uma experiência conhecida durante uma visita ao HCor. “É tipo uma escola dentro do hospital”, explicou.

As visitas a outras instituições, realizadas com o apoio da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), têm permitido conhecer práticas e modelos que podem contribuir com o trabalho desenvolvido no Acre.

A possibilidade de uma faculdade de Medicina também entrou na conversa. Ao ouvir a pergunta, Alessandro reagiu com humor: “Tem algum informante lá dentro do hospital?”.

Ele deixou o caminho aberto para o futuro, sem apresentar um projeto formal ou prazo. “Quem sabe no futuro, de repente, ter realmente uma faculdade de Medicina, né?”.

Uma pausa para celebrar

O jantar teve patrocínio master da Lunic Medical e também marcou uma oportunidade de encontro fora da rotina de atendimento.

Jarinne lembrou que, no dia a dia, os profissionais muitas vezes se cumprimentam rapidamente pelos corredores, entre máscaras, toucas e compromissos. Naquela noite, puderam conversar e celebrar juntos.

Para a médica, reunir essas pessoas era parte do sentido da comemoração: reconhecer quem ajudou a transformar o projeto e continua participando dele, dez anos depois.

 

Compartilhar