Em uma das falas mais reflexivas e contundentes da sessão de quinta-feira, 12, o vereador André Kamai (PT) subiu à tribuna para defender não apenas um posicionamento político, mas o próprio sentido de estar no Parlamento. Em meio a denúncias, acusações e tensões nos bastidores da Câmara de Rio Branco, Kamai pediu o resgate da essência do debate legislativo como espaço de escuta, confronto de ideias e transformação real.
“Hoje, a política venceu. Não foi a técnica, não foi a burocracia. Foi a política, com ‘P’ maiúsculo. Foi o diálogo, a coragem de se indignar, a construção de soluções a partir do enfrentamento da realidade.”
O vereador se referia à crise da Escola Estadual Limoeiro, na zona rural de Rio Branco, que ganhou repercussão após denúncias feitas na imprensa e na própria Câmara. Kamai elogiou a postura da presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheira Dulcinéa Benício, por reagir com firmeza diante da precariedade da unidade escolar. E reconheceu o gesto político do secretário de Educação, Aberson Carvalho, que levou um plano de ações emergenciais diretamente à Corte.
“Se a presidente do TCE não tivesse se indignado, se o secretário não tivesse ido lá com humildade e proposta, isso talvez não tivesse saído do lugar. Isso é política. É pra isso que estamos aqui.”
Mas o centro da fala de Kamai não foi apenas institucional. O parlamentar fez um apelo pela valorização da tribuna como instrumento democrático, criticando a superficialidade e o ritmo apressado das sessões. “Parece que o objetivo aqui é terminar a sessão. Mas eu vim pra cá pra falar, pra me posicionar, pra representar quem me elegeu. A tribuna não pode ser um incômodo. Ela é o coração do parlamento.”
Kamai ainda alertou sobre a tentativa — dentro e fora da Câmara — de reduzir a política a um jogo eleitoral vazio. “Há quem confunda política com eleição. A eleição é um momento. Mas política é construção, confronto, consenso. É onde a voz do povo entra”, reforçou.
Ao concluir, o vereador fez uma defesa apaixonada da política como instrumento de inclusão dos invisíveis:
“Aquelas crianças da zona rural nunca seriam ouvidas se não fosse a imprensa, se não fosse a tribuna desta casa, se não fosse a política. É por elas que precisamos ocupar este espaço com coragem.”
