Há mais de sete anos na arena, Felipe transforma cada segundo do rodeio em espetáculo

Foto: Portal Correio online

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No meio do brilho das fivelas, do som metálico dos portões e dos gritos da multidão nos rodeios, há uma voz que não se ouve — mas que comanda o espetáculo. É a voz de quem dita o ritmo, acelera o tempo, organiza o caos e transforma o perigo em harmonia. É a voz de Luís Felipe, assistente de pista há mais de sete anos, um maestro silencioso dentro da arena.

“O assessor de rodeio é como um maestro de orquestra. Ele dita o ritmo do rodeio, faz com que o espetáculo vá pra frente. Tem o poder de acelerar ou diminuir o tempo, e isso é o que dá vida à arena”, explica Felipe, enquanto o som do berrante corta o ar.

Com o olhar firme e os passos precisos, ele coordena o balé de touros, peões, porteiros e salva-vidas. “Estou muito feliz em fazer parte desse evento. É a sexta edição da Tarauacá Rural Show, e cada ano é uma superação. Este, especialmente, marcou pela presença da Liga Nacional de Rodeio.”

Felipe fala com orgulho da profissão que carrega no sangue. “Vim de uma família rodeística, cheia de paixão e motivo. Posso dizer que trabalho com o que eu gosto, e quero seguir passando esse legado adiante”, afirma, com o brilho nos olhos de quem sabe que o campo é mais do que chão — é herança e identidade.

E, claro, o perigo é companhia constante. “Inúmeras vezes já corri de touro, perdi as contas”, ri, com a naturalidade de quem encara o risco com respeito. “Quem trabalha dentro da arena sabe que cada segundo ali exige atenção. Mas o amor pelo rodeio fala mais alto.”

Sete anos separam o jovem curioso do profissional que hoje guia os bastidores da festa mais aguardada do interior acreano. Sete anos que moldaram não apenas um trabalhador, mas um símbolo de quem transforma o medo em espetáculo e o trabalho em arte.

E sobre “respirar novos ares” dentro do universo do rodeio, Felipe não nega que o futuro pode trazer surpresas. Mas, ao ser provocado sobre a ideia de virar peão, ele ri alto e responde:
“Ser peão? Aí já é demais pra mim!”

Risos à parte, ele segue firme, com os pés na arena e o coração onde sempre esteve — no compasso da poeira, do som e da paixão que movem o rodeio.

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