Tensão entre servidores e prefeitura
Servidores da educação municipal de Rio Branco iniciaram uma greve na sexta-feira, 16, com concentração na Praça da Revolução, no Centro da capital. Enquanto o movimento ocorria do lado de fora da sede da prefeitura, dentro, o prefeito Tião Bocalom concedia uma coletiva de imprensa para comentar a paralisação, que já conta com a adesão de 55 escolas, de acordo com os organizadores.
Bocalom classificou a mobilização como um “movimento natural” da categoria e afirmou que qualquer encaminhamento será debatido com o secretário municipal de Educação e vice-prefeito, Alysson Bestene. Ele ressaltou que as negociações são conduzidas com “transparência” e alinhadas também com a pasta de Administração. “Nós sempre conduzimos esse tipo de situação com responsabilidade e clareza. As decisões são tomadas de forma conjunta, avaliando aquilo que é possível dentro da realidade da prefeitura”, disse o gestor.
No entanto, o prefeito também fez questão de frisar que a saúde fiscal do município é prioridade e que não pretende ceder a pressões que, segundo ele, poderiam comprometer o equilíbrio das contas públicas. “Não se pode sacrificar a economia da cidade em função de greves. Sempre estivemos abertos ao diálogo, sem necessidade de paralisações”, pontuou.
Do lado de fora, o clima era de indignação. Na Praça da Revolução, em frente ao prédio onde ocorria a coletiva, servidores da educação realizavam manifestação com cartazes, faixas e gritos de ordem. O movimento cobra valorização profissional, melhorias salariais e condições dignas de trabalho nas escolas municipais, que, em sua maioria, atendem crianças em situação de vulnerabilidade.
A deflagração da greve aprofunda a crise entre a gestão municipal e os profissionais da educação, que afirmam não ter tido retorno satisfatório após sucessivas tentativas de negociação. Lideranças sindicais afirmam que a adesão tende a aumentar nos próximos dias, com paralisações em unidades de ensino da zona urbana e rural da capital.
Apesar do avanço da greve e da crescente insatisfação da categoria, a prefeitura ainda não anunciou nenhuma proposta concreta de reajuste ou reestruturação do plano de carreira. A promessa, até aqui, é manter as portas abertas ao diálogo — o mesmo que, segundo os grevistas, tem sido sistematicamente negligenciado.
