Rio Branco, Acre - sábado, 02 maio, 2026

Governo Lula sofre revés na Câmara com apoio de partidos que controlam doze ministérios

Foto Internet

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu uma derrota expressiva na Câmara dos Deputados na noite de segunda-feira, 16, com o apoio decisivo de partidos que ocupam doze ministérios na Esplanada. A votação resultou na aprovação do regime de urgência para um projeto de decreto legislativo que visa derrubar o novo decreto do Executivo sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Foram 346 votos contra o governo — incluindo União Brasil, PP, Republicanos, PSD, MDB e até o PDT — em aliança com o PL, partido de oposição. Apenas 97 deputados se mantiveram ao lado do governo, sendo a maioria do PT, PSB e PSOL. Diante do cenário desfavorável, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), liberou a bancada, sem orientar voto contrário ou favorável.

A insatisfação da base aliada tem como pano de fundo o atraso na liberação das emendas parlamentares, tanto do orçamento de 2025 quanto de anos anteriores. Segundo fontes do Congresso, há um crescente desconforto com o que é percebido como lentidão na execução das promessas orçamentárias por parte do Planalto.

Apesar de o discurso majoritário na sessão ser contrário ao aumento de tributos, parlamentares indicaram que o impasse está longe de ser apenas fiscal. Para muitos, a movimentação representa um alerta político. “Estou achando mais fácil uma vaca tossir ou um saci cruzar as pernas do que esse Congresso aumentar imposto de rico”, ironizou o deputado Rogério Correia (PT-MG), ecoando críticas ao novo decreto do IOF.

A oposição aproveitou o momento para atacar o governo e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apelidado mais uma vez de “Taxadd”. “O governo do descondenado e do taxad criou 24 impostos até semana passada. Agora, com o IOF, serão 28. Um imposto a cada 37 dias. Isso é um desgoverno”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Mais cedo, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) tentaram contornar a crise em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base aliada. Apesar do esforço, Motta confirmou que a votação trataria apenas da urgência, e que o mérito do projeto ainda não tem data definida para análise.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), minimizou o impacto do resultado e reconheceu que a derrota já era esperada. “Não é o fim do mundo”, afirmou.

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