O governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha (União Brasil), desembarcou em Porto Velho nesta sexta-feira, 20, após uma das viagens oficiais mais controversas do ano. A missão internacional em Israel, inicialmente planejada para estreitar laços comerciais e buscar tecnologias de segurança e agronegócio, terminou marcada por momentos de tensão, críticas políticas, embates institucionais e um exílio diplomático que exigiu manobras dentro e fora do país para mantê-lo no cargo.
Rocha viajou como representante do Consórcio Brasil Central para buscar cooperação tecnológica, investimentos em infraestrutura e negociações sobre exportação de tambaqui para o mercado israelense.
Durante os primeiros dias, a comitiva participou de encontros em Tel Aviv e Jerusalém, com empresários israelenses e autoridades do setor tecnológico. O foco era viabilizar acordos institucionais, atrair investimentos e entender como o país do Oriente Médio integra tecnologia à segurança pública – área sensível e estratégica para o governo rondoniense.
Mas o que era uma agenda diplomática ganhou contornos de crise quando Israel foi alvo de bombardeios após ataques do Irã. Em Tel Aviv, onde estava a comitiva de Rondônia, sirenes alertaram para mísseis inimigos, obrigando o grupo a buscar abrigo em bunkers.
“Foram momentos de grande tensão. Havia instruções claras: quando a sirene tocasse, tínhamos menos de 90 segundos para nos proteger”, relatou Rocha em vídeo divulgado antes de sair do território israelense.
O espaço aéreo foi fechado por quase uma semana, e o grupo brasileiro ficou isolado. Enquanto prefeitos e outros integrantes da missão conseguiram retornar via Jordânia com apoio do Itamaraty, o governador e parte de sua equipe optaram por permanecer mais alguns dias em Israel, aguardando abertura segura do espaço aéreo e dando prioridade ao retorno de participantes com necessidades médicas.
A crise política em Rondônia
A ausência prolongada de Rocha causou mal-estar político e levou aliados a agirem nos bastidores. A oposição e até membros da base governista passaram a questionar a real necessidade da viagem e seus custos — estimados em até meio milhão de reais, incluindo diárias de quase US$ 800 por dia.
A tensão chegou ao ápice com a aprovação relâmpago de uma Emenda Constitucional Estadual (nº 174/2025), permitindo que o governador exercesse o cargo mesmo fora do país. A medida foi interpretada como uma tentativa de blindá-lo diante de possíveis questionamentos jurídicos.
Além disso, denúncias sobre uso político da Polícia Civil e investigações envolvendo espionagem de adversários ampliaram o desgaste do governo.
O retorno: da Jordânia ao Brasil
No dia 18 de junho, Rocha anunciou sua saída de Israel, agora por via terrestre. A comitiva atravessou a fronteira até a Jordânia com apoio da embaixada brasileira e do governo israelense. Já fora da zona de conflito, o governador gravou um vídeo de agradecimento às autoridades diplomáticas:
“Seguimos firmes na missão de representar nosso povo, certos de que a diplomacia, o diálogo e a cooperação constroem pontes sólidas entre as nações”, afirmou Rocha.
Assim que desembarcou no aeroporto da capital de Rondônia, Rocha foi recebido por apoiadores e imprensa. Em um momento emocionado, declarou: “uma guerra desnecessária… o certo é o Senhor nosso Deus. Vamos seguir em frente, gente. Quem é do bem não diminui seu caminho por dinheiro nem por poder. Vamos, em nome de Jesus.”
