Foto: Cristiano Mariz
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a taxa básica de juros é hoje o principal fator por trás do aumento da dívida pública brasileira. Segundo ela, o peso dos juros no orçamento supera o impacto das despesas do governo e compromete a capacidade do Estado de investir em áreas essenciais.
Atualmente fixada em 15% ao ano, a Selic permanece no maior patamar desde 2006, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de mantê-la pela quarta vez consecutiva. Para Gleisi, esse nível de juros “suga” recursos do orçamento, encarece o crédito e limita o crescimento econômico, afetando diretamente a prestação de serviços públicos e a execução de programas sociais.
A ministra também contestou análises que atribuem o crescimento da dívida ao aumento dos gastos governamentais. Sem citar fontes específicas, ela afirmou que essas leituras ignoram o fato de os juros estarem cerca de 10 pontos percentuais acima da inflação, o que, na avaliação dela, exerce pressão direta sobre o endividamento do país.
O debate ocorre em meio à aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 pelo Congresso Nacional. O texto prevê despesas totais de R$ 6,5 trilhões, dos quais R$ 1,82 trilhão — cerca de 28% — estão reservados exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública.
Apesar das críticas, o Banco Central mantém uma visão mais cautelosa. O boletim Focus indica que o mercado projeta queda gradual da Selic, com estimativa de 12,25% ao ano até o fim de 2026 e novas reduções previstas para 2027 e 2028, caso o cenário econômico permita.
