Rio Branco, Acre - domingo, 19 abril, 2026

Geraldo Pereira destaca que até 80% das propriedades do Acre podem ficar fora do mercado

Foto:  Correio online 

Durante uma fala contundente na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o produtor rural e ex-deputado estadual Geraldo Pereira fez um alerta direto sobre o futuro da economia acreana. Segundo ele, a forma como regras ambientais, fundiárias e sanitárias vêm sendo conduzidas pode empurrar grande parte dos produtores para a irregularidade. “Enquanto isso for tratado como um problema só dos produtores rurais, é como se tivesse uma divisão entre quem é da cidade e quem é do campo”, afirmou.

O ponto mais sensível do discurso foi a rastreabilidade do rebanho bovino, que já começa a ser cobrada por órgãos de controle. Geraldo reconheceu a legalidade da exigência, mas alertou para os efeitos práticos imediatos. “Se isso for tocado com todo o rigor da lei, todos vão estar certos e todos falidos”, disse. Segundo ele, cerca de 80% das propriedades do estado podem não conseguir comercializar sua produção caso não haja uma transição adequada.

O produtor detalhou que o problema não se limita à venda de animais, mas atinge toda a estrutura econômica do campo. Sem comercialização, produtores perdem renda, deixam de acessar crédito e travam investimentos. “Vai ter crédito, mas não vai ter dinheiro em caixa. E o que interessa é a capacidade de pagamento”, destacou, ao alertar para o impacto direto nas finanças do próprio Estado.

Outro ponto levantado foi a insegurança jurídica após a derrubada, pelo Supremo Tribunal Federal, de uma lei estadual que tratava da regularização em áreas de florestas públicas. Para ele, o cenário atual aumenta a ansiedade de quem vive nessas regiões. “A pessoa acha que tem a terra, mas não tem. A posse é mansa e pacífica, mas não tem o documento”, afirmou.

Geraldo também cobrou a revisão dos módulos fiscais em municípios como Rio Branco, Bujari, Capixaba e Porto Acre. Segundo ele, a diferença nos limites pode deixar áreas produtivas já consolidadas fora da legalidade. “Vamos deixar fora terras produtivas que já estão consolidadas? Isso é uma encrenca desnecessária”, criticou.

Ao ampliar o debate, ele reforçou que o agro não pode ser visto como um setor isolado. “Esse assunto é de quem toma café, de quem come pão, arroz, feijão e carne. É um assunto da sociedade e da economia do estado”, disse, ao pedir que o tema seja incorporado aos planos de governo e tratado como prioridade política.

O ex-deputado também destacou o peso da agropecuária na economia acreana, responsável por movimentar cerca de 25% das atividades. Segundo ele, os impactos vão muito além das fazendas. “Não é só quem está no campo. É a oficina, o posto de combustível, o comércio, o caminhoneiro. Tudo gira em torno disso”, afirmou.

Ao final, Geraldo Pereira fez um apelo direto às autoridades e parlamentares. “É preciso olhar com lupa para esses problemas. Não dá mais para empurrar. Isso aqui não é um assunto de um lado ou de outro, é um assunto do Acre”, concluiu.

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