Rio Branco, Acre - sexta-feira, 06 março, 2026

Genética Nelovale atinge 100% de vendas em leilão no Acre e confirma força da pecuária moderna na Amazônia

Evento superou expectativas com 60 touros Nelore de alto padrão genético certificados pela Ceneplus Embrapa. Tecnologia, sustentabilidade e adaptação ao bioma foram os pilares destacados.

Em um momento desafiador para o agronegócio, a Fazenda Vale Verde — conhecida como Genética Nelovale — realizou no domingo, 20, um leilão histórico em Rio Branco. Foram ofertados 60 reprodutores Nelore de alto padrão genético, todos com avaliação no programa de melhoramento de zebuínos (PMGZ) e certificação da Ceneplus Embrapa. O resultado foi de 100% de vendas, com participação expressiva de produtores do Acre.

 

“Superou nossas expectativas. A gente sabe que o agro vive um momento delicado, mas graças a Deus, os produtores já conhecem a nossa genética. E mais uma vez confiaram no nosso trabalho”, disse o pecuarista Fernando Teixeira, proprietário da Genética Nelovale.

O evento ocorreu no Gran Reserva (antigo aeroporto de Rio Branco), com almoço servido aos participantes e transmissão simultânea ao vivo pela Esteios Leilões. O formato híbrido ampliou o alcance do leilão, que atraiu criadores interessados na eficiência produtiva e na adaptação ao bioma amazônico.

Genética, tecnologia e sustentabilidade no mesmo caminho

Com um discurso firme e baseado na prática de campo, Fernando Teixeira destacou que a genética é hoje o principal vetor de transformação da pecuária acreana.

“A genética é a base de tudo. Quando a gente fala em agronegócio moderno, competitivo, sustentável, a genética está no centro. Ela define o desempenho do rebanho, a conversão alimentar, o ganho de peso, a resistência às doenças e a precocidade. E isso não é só bom para a rentabilidade — é bom para o meio ambiente também. Quando se aumenta a produtividade por hectare, reduz-se a pressão por abertura de novas áreas. A genética de hoje é uma aliada da pecuária responsável.”

 

Sobre o rebanho ofertado no leilão, ele detalhou os diferenciais dos touros. “Os 60 reprodutores que ofertamos no leilão passaram por um rigoroso processo de avaliação, todos com certificação da Ceneplus Embrapa. Isso dá segurança a quem compra e qualidade ao rebanho que vai ser formado. Esses animais carregam características genéticas que promovem ganho de peso, precocidade sexual, resistência a doenças e melhor conversão alimentar. Quando esse padrão entra nas propriedades locais, o impacto é direto: o produtor reduz custo, melhora a qualidade da carne e consegue competir melhor no mercado.”

Quando questionado se o Acre está preparado para adotar rebanhos geneticamente melhorados, Fernando acenou positivamente. “Sim, o Acre está se preparando — e rápido”, disse.

E acrescentou: “a mentalidade do produtor local vem mudando. Hoje, quem está no campo entende que não dá mais pra investir no escuro. O gado com genética melhorada, com avaliação técnica, como o que ofertamos aqui no leilão, garante segurança no investimento. As vantagens são muitas: mais produtividade, animais mais adaptados ao nosso clima, mais precoces e mais eficientes. E o melhor: com mais retorno por hectare. A genética não é mais luxo, é necessidade — principalmente pra quem quer continuar produzindo na Amazônia com respeito ao bioma e competitividade no mercado nacional.”

Tecnologia: produzir mais sem desmatar

Num momento em que o agronegócio enfrenta críticas sobre desmatamento, Fernando defende a tecnologia como ponte entre produção e preservação.

“A tecnologia é o caminho mais seguro e inteligente para a gente produzir mais sem abrir um palmo a mais de terra. Hoje, com melhoramento genético, manejo de precisão, uso de dados e ferramentas de rastreabilidade, é possível aumentar a produtividade por hectare, respeitando a floresta em pé. Aqui na Nelo Vale, a gente acredita que preservar não é o contrário de produzir — é parte do mesmo processo. Ou a gente mostra que é possível crescer com responsabilidade, ou vamos continuar sendo barrados por quem nunca pisou no chão vermelho daqui.”

Além da comercialização, o leilão aquece a economia rural e promove a integração regional. “O leilão é só o ápice de um trabalho que movimenta muita gente. Tem a equipe de manejo, os técnicos, os fornecedores de ração, medicamentos, transporte… A economia gira. Além disso, temos produtores de várias cidades vindo para cá, conhecendo a fazenda, participando do evento. Isso aquece o turismo rural, valoriza a cultura do campo e mostra que o Acre tem uma pecuária viva, moderna e integrada.”

Genética adaptada ao bioma amazônico

Para Fernando, adaptar a genética à realidade amazônica é uma estratégia essencial para a sustentabilidade da produção.

“A gente não pode simplesmente importar uma genética do Sul ou do Centro-Oeste e achar que vai funcionar aqui. O bioma amazônico tem desafios próprios: umidade, calor, parasitas. O que fizemos foi selecionar reprodutores que performam bem nessas condições. É genética que responde no nosso pasto, no nosso clima, na nossa realidade. Isso é o que garante longevidade e sustentabilidade à produção”, finalizou.

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