Foto: Wanglézio Braga
A Amazônia está dando passos largos rumo a uma pecuária mais moderna, eficiente e comprometida com a preservação ambiental. No Acre, essa transição ganha força com o avanço do melhoramento genético dos rebanhos, que surge como resposta direta à necessidade de produzir mais carne em menos espaço e sem a abertura de novas áreas de floresta.
Durante o Leilão Genética Nelovale, realizado em Rio Branco, o pecuarista e empresário Valmir Paes — que atua em três estados da região (Acre, Rondônia e Amazonas) — reforçou a importância da genética como solução para o futuro da pecuária na Amazônia. “Não podemos mais desmatar. A saída é investir em genética de ponta, que produz mais, mata mais cedo e torna a propriedade mais rentável sem precisar abrir novas áreas”, afirmou.
Valmir, que também é diretor comercial de um grupo com 170 lojas e duas fábricas no Brasil, percorre os principais polos pecuários do país e garante: o Acre está pronto para competir em alto nível. “A genética do Acre é boa, os criadores estão mais tecnificados e o clima favorece muito. O estado tem capim o ano inteiro. Tudo isso nos posiciona com vantagem”, reforça.
Tecnologia que transforma o campo
Com foco na eficiência produtiva, o uso da genética selecionada já não é mais um luxo, mas uma necessidade estratégica para o pecuarista que deseja se manter competitivo. A comercialização de reprodutores Nelore com certificação Ceneplus Embrapa, como ocorreu no leilão, marca uma virada no perfil dos criadores da região.
“Todo pecuarista hoje entende que precisa melhorar o rebanho. O boi que mata cedo, que engorda rápido, que dá mais arrobas com menos tempo, é o boi que paga a conta. A genética resolve isso. E o Acre está aderindo com força”, destaca Valmir.
Com a intensificação da fiscalização ambiental e as pressões internacionais sobre o desmatamento, a nova pecuária da Amazônia passa a ser vista também como aliada da preservação. Ao investir em tecnologia e genética, os criadores deixam de depender da abertura de áreas e passam a usar melhor o que já têm. “É possível produzir carne de qualidade, gerar renda e ainda proteger o bioma. O segredo é usar a ciência a favor do campo”, conclui.
