Foto: Ascom/Bruno Moraes
O debate em torno do Plano Plurianual 2026–2029 de Rio Branco iniciou com o seguinte questionamento: como transformar projeções de receita em entregas que a população sente no dia a dia? A peça apresentada pela Secretaria de Planejamento, na Câmara Municipal, durante audiência pública, na segunda-feira, 22, estima uma trajetória de R$ 1,89 bilhão realizados em 2023 para R$ 2,42 bilhões em 2029.
A pasta relembrou que a estimativa orçamentária foi de R$ 2,182 bilhões em 2024, R$ 2,25 bilhões em 2025 e um patamar em torno de R$ 2,24 bilhões entre 2026 e 2027, antes de novo avanço. A prefeitura frisa que são estimativas técnicas, não promessas, e que o equilíbrio fiscal baliza programas, ações e indicadores.
No plenário, porém, o embate foi sobre prioridades. A consulta pública puxou água e esgoto ao topo do ranking, seguida de saúde, educação, infraestrutura urbana e rural, emprego e moradia. O diretor do Saerb, Enoque Pereira, falou em “virada de chave”. “O Saerb saiu de apenas 2,5% de esgoto tratado em 2022 para 16% hoje e pode chegar a 50% com a conclusão da ETE São Francisco”.
Além do esgoto, o abastecimento também foi tema central. “Até pouco tempo, Rio Branco desperdiçava 67% da água produzida. Hoje esse índice está em torno de 50% e a meta é reduzir ainda mais”, disse Enoque Pereira, diretor-presidente do Saerb (Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco).
Ele citou a instalação de quase dois mil hidrômetros em 2025, outros quatro mil em execução e a promessa de 20 mil unidades ao longo dos próximos quatro anos. Também destacou um termo de cooperação com a Sanasa, de Campinas, para criar áreas de “Rio Branco 24h”. “Queremos planejar regiões onde a água chegue de forma contínua, sem racionamento”, afirmou.
Os investimentos recentes — mais de R$ 10 milhões em bombas e motores, além da economia de R$ 3,5 milhões em energia e R$ 7 milhões em produtos químicos — sustentam a expectativa de melhorar a regularidade do serviço. Ainda assim, vereadores cobraram metas por bairro. “A prioridade é a água na torneira. Não adianta ter bilhões no orçamento se os moradores ainda dependem de caminhão-pipa”, disse o vereador Zé Lopes (Republicanos).
